quinta-feira, 29 de novembro de 2007

2.
















Foto de M

Foi difícil retê-los na minha máquina fotográfica: passavam em bando diante dos meus olhos. Para lá, para cá, outra vez para lá, de novo para cá, no rasto do tempo que se gasta… Quase um jogo de esconde-esconde. Quase um riso imaginado. Pássaros-meninos desafiando-‑me? Duvido que dessem por mim na meia-luz da janela. Eu vivia o meu silêncio, eles piavam, batendo as asas negras num voo de pressas. Talvez procurassem o anoitecer, um adeus a mais um dia abandonado à beira-mar. Entre algas e conchas. E rendas de espuma em lençóis de areia. E rochas escorregadias cobertas de mantas verdes tocadas por pezinhos de crianças. O mundo a seus pés, a alegria dentro dos seus corações. Meninos-pássaros.
Mas para quê, diante da minha janela, aquele corrupio em busca do entardecer? Não tem o sol o seu ritmo muito próprio de se esbater no mar da vida arrastando com ele o nosso olhar temporariamente forrado de dourado?
M

15 de Agosto de 2007

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