domingo, 17 de junho de 2012

176.


Foto de M
 
Entretenho-me a espreitar a azáfama destas criaturinhas aladas em bzzs de impor respeito ao mais afoito citadino a deambular pelos campos. Gostaria de entender as suas conversas abelhudas, confesso. Será de Van Gogh que falam? Ah como ele amava o amarelo! 
M

quinta-feira, 7 de junho de 2012

PROVÉRBIOS FOTOGRAFADOS - 18



Foto de M

«Remenda o teu pano, chegará para o ano. Torna a remendar, tornará a chegar»

(sugerido pela Jawaa para o desafio "Provérbios Fotografados no PPP)

No Rifoneiro Português por Pedro Chaves (2ª edição), Editorial Domingos Barreira, aparece ligeiramente diferente:

«Remenda o pano, durar-te-á outro ano, torna a remendar, outro ano há-de passar»

Este postal desenhado por Stuart foi adquirido e escrito pelo meu Avô paterno e enviado a uma das suas irmãs, em 1939.

E, para quem não o conheça, aqui fica alguma informação retirada da net sobre Stuart.



P.S. - Aparentemente não me terei explicado muito bem porque já houve duas pessoas que pensaram que eu era da família de Stuart, por isso esclareço aqui que não sou.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

175.

Foto de M

Ao olhar para cima vi-os. Estavam à beira da estrada florestal, empoleirados entre a terra e o céu, desmembrados os corpos, negro o silêncio de gritos sem nome esvaindo-se dentro das bocas escancaradas. Medonha, desajustada e desumana esta presença pesada de materiais amassados devorando a pureza de uma mata belíssima onde espreitam coelhos e lebres entre as fragrâncias do arvoredo e o canto dos pássaros pousa leve sobre as giestas em flor. 
M

quinta-feira, 3 de maio de 2012

AVISO

O meu computador está com um problema pelo que terei que o levar à vistoria. Não sei quanto tempo estarei ausente da net.
M

PROVÉRBIOS FOTOGRAFADOS - 17

Foto de M
   
«A luz onde está, logo aparece»

Rifoneiro Português por Pedro Chaves (2ª edição), Editorial Domingos Barreira                   

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Porque a Bettips gosta muito de oliveiras, um segundo presentinho que lhe ofereço, retirado do meu baú das memórias


Contrastes
(Foto de S.)

Afastamento

Até a tua sombra me foge na distância de um abraço impossível.

M

(22 de maio de 2005)

Porque a Bettips gosta muito de oliveiras, um presentinho que lhe ofereço, retirado do meu baú das memórias


As contorcionistas
(Foto de S.
)

No Jardim

O Passarito poisou em cima da oliveira com uma ideia muito maluca dentro da cabeça: queria ter asas azuis da cor do céu!
– Mas tu tens umas asas tão bonitas, meu pequerrucho! – disse-lhe a mãe, empoleirada a seu lado. – Que ideia a tua de quereres ter asas de outra cor!
– Mas eu quero – respondeu o Passarito. E começou a fazer uma birra, abanando muito a cabeça de um lado para o outro, e abrindo e fechando o bico, como se quisesse gritar. ­– O céu não está longe, podemos muito bem ir lá buscar azul para eu me pintar.
– Está muito longe – disse a mãe, ao mesmo tempo que metia com suavidade o bico entre as penas acinzentadas do filho. Era a maneira de ela lhe fazer festas. – As tuas penas são lindas!
– Mas eu agora quero ser azul! Tu não percebes nada! Não estás mesmo a ver?...
– A ver o quê?! – A mãe olhou para ele admirada.
– Eu quero enfeitar esta árvore. Já viste como ela é? É cinzenta, mamã... Com estas minhas asas ficamos iguais, da mesma cor não tem graça nenhuma! É preciso explicar-te tudo!...
– Ah, então foi por isso que acordaste com essa ideia maluca! – respondeu a mãe. – Mas... achas que o azul é a melhor cor para enfeitares a oliveira? Anda cá, vamos voar até àquele raminho mais abaixo e tu olhas com atenção para cima...
– Para quê? Já disse que gosto de azul, e só do azul do céu! – E, como estava muito zangado, bateu as asas com tanta força que se desequilibrou e foi pelo ar a voar aos trambolhões. Estatelou-se no passeio, escorregou, mas depois lá se endireitou. E olhava para todos os lados, um bocadito envergonhado.
– Que grande voo! Até parecia que estavas a ser empurrado por alguma tempestade! – A mãe poisava agora no chão, a seu lado.
Entretanto, os pombos que por ali andavam em busca de grãozinhos de milho miravam e remiravam o Passarito, muito espantados, sem perceberem como é que ele, sendo tão pequenino, era tão refilão e fazia tanto barulho. Só o ouviam piar, piar... E eles que gostam de comer sossegados! Passam a vida de um lado para o outro, com aquelas asas compridas que me lembram o fraque que o pai da minha amiga Beatriz veste para ir a casamentos.
– Então, já passou a birra? Apanhaste um susto com esse trambolhão, não foi? – A mãe chegou-se mais para junto dele e disse-lhe baixinho: – Olha para o céu. Estás a ver o que acontecia se as tuas asas fossem azuis? Repara bem!
O Passarito levantou a cabeça, um bocado contrariado, claro, e espreitou lá para cima.
– Não achas que quem olhasse cá de baixo via tudo azul? - perguntou a mãe. - Ninguém reparava em ti... Vamos pensar numa outra cor... Que tal um amarelo?
– Amarelo?! – Ele não estava lá muito convencido com a ideia da mãe.
– Sim, o amarelo daquelas folhas caídas sobre a relva ali ao fundo... É tão bonito! – sugeriu ela.
– Oh, esse já não está amarelo, está quase castanho...
– Achas? Pois eu acho-o lindo. Até tenho encontrado aqui um homem a apanhar folhas iguais a estas e a guardá-las dentro de um carrinho de rodas. E é muito engraçada a vassoura com que ele varre a rua...
O Passarito olhava para a mãe, olhava para as folhas, olhava para o céu, voltava a olhar para a mãe... Parecia indeciso, mas como era um bocadinho teimoso...
– Então e como é que eu faço? – perguntou por fim, baixinho, porque não queria que os pombos o ouvissem. Depois daquela birra de há pouco era uma vergonha. – As folhas estão secas e partem-se se eu lhes tocar...
– Vamos fazer assim: continuas com as tuas asas, que são lindas...
– Mas tu disseste...
– Espera, tem calma! Ficas na mesma com as tuas asas acinzentadas e eu escolho uma folha das mais bonitas, grande, e seguro-a na tua cabeça, como se fosse uma coroa. Achas bem?
– Mas... como é que se segura? – O Passarito começava a pensar que a ideia da mãe talvez não fosse de desprezar.
– Vamos procurar um fiozinho, daqueles que às vezes andam por aí... Nunca reparaste que algumas pessoas atiram coisas para o chão? Olha, ainda ontem vi uma senhora deixar cair um cordel no passeio. Quando abriu o saco do milho para os pombos e meteu a mão dentro... ele escorregou. E era encarnado! Ficava mesmo bem a segurar a coroa... Que te parece?
O Passarito abriu muito os olhos e, sempre aos saltinhos, procurou, procurou, até que encontrou o que queria.
– Encontrei um! – Ele estava agora muito contente.
– E eu descobri esta folha linda, olha! Vais parecer um príncipe! – E a mãe, pegando cuidadosamente na folha com o bico, prendeu-a com o fiozinho encarnado à cabeça do filho.
– Estou bonito? – perguntou o Passarito.
– Estás lindo! – disse a mãe, toda vaidosa.
– Então e agora? – Ele não parava de fazer perguntas.
– Agora já podes voar até ao cimo da árvore. Com cuidado… – E ficou a admirá-lo, enquanto ele subia até ao ramo mais alto da oliveira, devagarinho para não estragar a coroa.

M

(31 de maio de 2005)

domingo, 8 de abril de 2012

PROVÉRBIOS FOTOGRAFADOS - 16


Foto de M

«Asado é o pau para a colher»

Rifoneiro Português por Pedro Chaves (2ª edição), Editorial Domingos Barreira

quarta-feira, 7 de março de 2012

174.


Foto de M

Era uma vez um edifício muito alto que morava numa cidade à beira-rio. Reparei nele. Sobressaía num bairro de ancestralidades e estilos diferentes do seu pelo que dei comigo a pensar no que teria sentido ao ir pouco a pouco tomando consistência entre a terra e o céu, encaixado naquele espaço de criações outras que não a sua. E imaginei que poderia ter estranhado vizinhança tão diversa, o que o levaria a recolher-se atrás dos pequenos rectângulos marcados no corpo que, à distância do meu olhar, me pareciam janelas fechadas. Mas, tanto quanto me é dado fantasiar, a presumível desconfiança e desajuste iniciais entre os residentes ter-se-á dissipado com a convivência diária. E de tal forma íntima ela se tornou, suponho, que a ampla parede do jovem edifício passou a ser lugar de encontro para o pensamento do olhar.
M

sexta-feira, 2 de março de 2012

Provérbios Fotografados - 15


Foto de M

«Antes de morder, vê com atenção se é pedra ou pão»

Rifoneiro Português por Pedro Chaves (2ª edição), Editorial Domingos Barreira