quinta-feira, 12 de julho de 2012

177.


Foto de M

Há muito que sabemos de folhas que flutuam nos lagos dos jardins. São estrelas do céu ao alcance das nossas mãos.
M

quinta-feira, 5 de julho de 2012

PROVÉRBIOS FOTOGRAFADOS - 19

 
Foto de M

«Ovo assado, meio ovo; ovo cozido, ovo inteiro; ovo frito, ovo e meio» 
 
Rifoneiro Português por Pedro Chaves (2ª edição), Editorial Domingos Barreira

quarta-feira, 4 de julho de 2012

«Com as palavras dentro do olhar» no Palavra Puxa Palavra


Foto de Justine proposta para o desafio Com as palavras dentro do olhar, em 21 de junho de 2012, no Palavra Puxa Palavra

E pôs-se ao caminho.
Recebera a notícia no dia anterior, escondia-se então o sol para lá da serrania, mas não ousara enfrentar a noite pois conhecia os seus azedumes ventosos no início da primavera. Preferiu esperar pela manhã, que sabia habitualmente mais amena por aquelas paragens.
Levantou-se cedo, abriu as portadas do quarto para perscrutar os campos em redor da casa e preparou-se para sair. Vestiu a roupa deixada de véspera sobre a cadeira à beira da cama, calçou os sapatos com sola de borracha grossa e fechou-se na casa de banho. Não se demorou. Apareceu daí a minutos na cozinha com o cabelo bem penteado preso no alto da cabeça com o seu gancho predileto, olhou para mim e sussurrou-me um
Bom dia. De pé, mastigou à pressa o naco de pão de centeio que lhe ofereci para acompanhar o café quente bebido de um trago, o pensamento longe na distância da paisagem invisível. Em seguida pousou a caneca em cima da mesa de madeira escurecida pelos anos e enfiou o pesado capote de lã serrana. Abraçou-me então demoradamente e saiu de casa encostando a porta sem fazer ruído.
Fiquei a vê-la por detrás das vidraças. Reparei que estremeceu um pouco ao sentir no corpo a friagem matinal enquanto, com mão firme, aconchegava o cabeção do casaco ao pescoço para se proteger dos farrapos de neve que teimavam em descer sobre os seus ombros.
Não olhou para trás, não voltei a ver-lhe o rosto, mas adivinhei nele a determinação de sempre.


M

«Com as palavras dentro do olhar» no Palavra Puxa Palavra


Foto de Jawaa proposta para o desafio Com as palavras dentro do olhar, em 16 de maio de 2012, no Palavra Puxa Palavra

Sentei-me numa das pedras a sentir o silêncio da paisagem. Relativamente perto de mim, junto de uma senhora que presumi ser sua mãe, um menino segurava nas mãos pequeninas um cone de gelado de baunilha que ora lambia ora trincava, absorto no prazer do momento.Achei-lhe graça e espreitei-o de vez em quando, curiosa. A certa altura reparei que chorava, lágrimas tristes escorrendo dos seus olhos de um azul profundo.
Deixei cair o gelado na água, mamã, e agora está todo derretido.
A mãe acariciou-lhe demoradamente os cabelos e aconchegou-o a si. Não fiques triste, meu querido. Olha! Transformaste o teu gelado numa raia enorme. És um artista!
O menino olhou para a mãe, olhou para o lago, e assim permaneceu durante alguns minutos, como que suspenso nos seus pensamentos. Depois sorriu e disse: Parece a raia do Oceanário de Lisboa!

M

«Com as palavras dentro do olhar» no Palavra Puxa Palavra


Foto de Bettips proposta para o desafio Com as palavras dentro do olhar, em 19 de abril de 2012, no Palavra Puxa Palavra


Esquissos de voos. Precisamos deles como de mobiles sobre berços de meninos. À roda, à roda, provocando risos e gorjeios. Imparáveis. Estás presa por arames, dizia em tempos o meu irmão. Talvez. Ou será nas memórias que estou presa? Estranhas e brancas são as portas da memória. Às vezes confundem-se. Ou ajustam-se vezes outras na diferença entre si abrindo-se à união possível com o passado. E do futuro que me sobra e desconheço, escondido na sombra ao cimo da escada que lhe dá passagem? Onde tenho eu a chave desse mistério de vida ainda? Onde procurá-la? No patamar do presente? Dentro de mim?

M

«Com as palavras dentro do olhar» no Palavra Puxa Palavra



Foto de Agrades proposta para o desafio Com as palavras dentro do olhar, em 16 de fevereiro de 2012, no Palavra Puxa Palavra

Gasta, e no entanto tão bela, pode ser a pele do Tempo, companheiro de viagens que guardam dentro do corpo a aventura do pensamento. 

domingo, 17 de junho de 2012

176.


Foto de M
 
Entretenho-me a espreitar a azáfama destas criaturinhas aladas em bzzs de impor respeito ao mais afoito citadino a deambular pelos campos. Gostaria de entender as suas conversas abelhudas, confesso. Será de Van Gogh que falam? Ah como ele amava o amarelo! 
M

quinta-feira, 7 de junho de 2012

PROVÉRBIOS FOTOGRAFADOS - 18



Foto de M

«Remenda o teu pano, chegará para o ano. Torna a remendar, tornará a chegar»

(sugerido pela Jawaa para o desafio "Provérbios Fotografados no PPP)

No Rifoneiro Português por Pedro Chaves (2ª edição), Editorial Domingos Barreira, aparece ligeiramente diferente:

«Remenda o pano, durar-te-á outro ano, torna a remendar, outro ano há-de passar»

Este postal desenhado por Stuart foi adquirido e escrito pelo meu Avô paterno e enviado a uma das suas irmãs, em 1939.

E, para quem não o conheça, aqui fica alguma informação retirada da net sobre Stuart.



P.S. - Aparentemente não me terei explicado muito bem porque já houve duas pessoas que pensaram que eu era da família de Stuart, por isso esclareço aqui que não sou.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

175.

Foto de M

Ao olhar para cima vi-os. Estavam à beira da estrada florestal, empoleirados entre a terra e o céu, desmembrados os corpos, negro o silêncio de gritos sem nome esvaindo-se dentro das bocas escancaradas. Medonha, desajustada e desumana esta presença pesada de materiais amassados devorando a pureza de uma mata belíssima onde espreitam coelhos e lebres entre as fragrâncias do arvoredo e o canto dos pássaros pousa leve sobre as giestas em flor. 
M

quinta-feira, 3 de maio de 2012

AVISO

O meu computador está com um problema pelo que terei que o levar à vistoria. Não sei quanto tempo estarei ausente da net.
M