sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Still there



Fotos de M
(Monumento a Wellington no Phoenix Park)

«The patting at once grew louder in encouragement and then ceased altogether. Gabriel leaned his ten trembling fingers on the tablecloth and smiled nervously at the company. Meeting a row of upturned faces he raised his eyes to the chandelier. The piano was playing a waltz tune and he could hear the skirts sweeping against the drawing-room door. People, perhaps, were standing in the snow on the quay outside, gazing up at the lighted windows and listening to the waltz music. The air was pure there. In the distance lay the park where the trees were weighted with snow. The Wellington Monument wore a gleaming cap of snow that flashed westward over the white field of Fifteen Acres.»

Dubliners (The Dead), James Joyce, Granada Publishing Limited

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«A batida na mesa cresceu num sinal de encorajamento, e depois cessou de repente. Gabriel pousou na toalha os dez dedos trementes e sorriu aos acompanhantes com um certo nervosismo. Encarando com uma fileira de rostos virados para si, ergueu os olhos para o lustre. O piano tocava em compasso de valsa e chegava-lhe aos ouvidos o frufru das saias que roçavam na porta do salão. Talvez houvesse pessoas lá fora no cais, no meio da neve, paradas a olhar para as janelas iluminadas e a escutar a valsa. Lá fora o ar era puro. Ao longe estendia-se o parque, com as árvores carregadas de neve. O monumento a Wellington tinha um capitel reluzente de neve que cintilava para ocidente, por sobre os alvos campos de Fifteen Acres.»

Dublinenses (Os Mortos), James Joyce, Relógio D'Água Editores

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Still there

  

 Fotos de M 
   
(…)
«He set to his supper and took no part in the conversation with which the table covered Lily's removal of the plates. The subject of talk was the opera company which was then at the Theatre Royal. Mr Bartell D'Arcy, the tenor, a dark-complexioned young man with a smart moustache, praised very highly the leading contralto of the company but Miss Furlong thought she had a rather vulgar style of production. Freddy Malins said there was a negro chieftain singing in the second part of the Gaiety pantomime who had one of the finest tenor voices he had ever heard.»
(…)

Dubliners (The Dead), James Joyce, Granada Publishing Limited

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«Entregou-se ao repasto sem tomar parte na conversa com que os convivas cobriam o ruído que Lily produzia a retirar os pratos. O tema da conversa era a companhia de ópera que actuava nessa altura no Teatro Royal. Mr Bartell D'Arcy, o tenor, um jovem de tez trigueira e bigode elegante, teceu largos encómios ao primeiro contralto, mas Miss Furlong achava que ela tinha uma execução muito trivial. Freddy Malins disse que um cantor negro, que actuava como chefe tribal na segunda parte da pantomima que estava em cena no Teatro Gaiety, tinha uma das melhores vozes de tenor que ele já ouvira.»
(…)

Dublinenses (Os Mortos), James Joyce, Relógio D'Água Editores

Still there


Foto de M 
 
(...)
«Lenehan walked as far as the Shelbourne Hotel where he halted and waited. After waiting for a little time he saw them coming towards him and, when they turned to the right, he followed them, stepping lightly in his white shoes, down one side of Merrion Square. As he walked on slowly, timing his pace to theirs, he watched Corley's head which turned at every moment towards the young woman's face like a big ball revolving on a pivot. He kept the pair in view until he had seen them climbing the stairs of the Donnybrook tram; then he turned about and went back the way he had come.»
(…)

Dubliners (Two Gallants), James Joyce, Granada Publishing Limited

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«Lenehan caminhou até ao Shelbourne Hotel, onde se deteve à espera. Daí a pouco viu-os vir na sua direcção e, quando viraram à direita, seguiu-os com o passo leve dos seus sapatos brancos por um dos lados de Merrion Square. Conforme ia andando devagar, acertando o passo pelo deles, observava a cabeça de Corley, que se virava a cada instante para o rosto da rapariga como uma grande bola a girar num eixo. Seguiu o par com os olhos até os ver subir os degraus do eléctrico para Donnybrook; nessa altura virou para trás e regressou pelo mesmo caminho.»
(…)

Dublinenses (Dois Galãs), James Joyce, Relógio D'Água Editores

Still There

 

Fotos de M

(…)
«- But tell me, Gabriel, said Aunt Kate, with brisk tact. Of course, you've seen about the room. Gretta was saying...
- O, the room is all right, replied Gabriel. I've taken one in the Gresham.
- To be sure, said Aunt Kate, by far the best thing to do. And the children, Gretta, you're not anxious about them?
- O, for one night, said Mrs Conroy. Besides, Bessie will look after them.»
(…)

Dubliners (The Dead), James Joyce, Granada Publishing Limited

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(…)
«Mas diz-me, Gabriel, interveio a tia Kate com expedito tacto. «Com certeza já trataste do quarto. A Gretta estava a dizer...»
«Oh, o quarto está tratado», respondeu Gabriel. «Reservei um no Gresham.»
«Pois está claro», disse a tia Kate. «De longe o melhor que podias fazer. E as crianças, Gretta, não estás preocupada com elas?»
«Oh, por uma noite...», respondeu Mrs Conroy. «Além disso, a Bessie toma conta delas.»
(…)

Dublinenses (Os Mortos), James Joyce, Relógio D'Água Editores

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

MUSEU NACIONAL DO AZULEJO


Foto de M

Uma exposição a não perder.
 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

177.


Foto de M

Há muito que sabemos de folhas que flutuam nos lagos dos jardins. São estrelas do céu ao alcance das nossas mãos.
M

quinta-feira, 5 de julho de 2012

PROVÉRBIOS FOTOGRAFADOS - 19

 
Foto de M

«Ovo assado, meio ovo; ovo cozido, ovo inteiro; ovo frito, ovo e meio» 
 
Rifoneiro Português por Pedro Chaves (2ª edição), Editorial Domingos Barreira

quarta-feira, 4 de julho de 2012

«Com as palavras dentro do olhar» no Palavra Puxa Palavra


Foto de Justine proposta para o desafio Com as palavras dentro do olhar, em 21 de junho de 2012, no Palavra Puxa Palavra

E pôs-se ao caminho.
Recebera a notícia no dia anterior, escondia-se então o sol para lá da serrania, mas não ousara enfrentar a noite pois conhecia os seus azedumes ventosos no início da primavera. Preferiu esperar pela manhã, que sabia habitualmente mais amena por aquelas paragens.
Levantou-se cedo, abriu as portadas do quarto para perscrutar os campos em redor da casa e preparou-se para sair. Vestiu a roupa deixada de véspera sobre a cadeira à beira da cama, calçou os sapatos com sola de borracha grossa e fechou-se na casa de banho. Não se demorou. Apareceu daí a minutos na cozinha com o cabelo bem penteado preso no alto da cabeça com o seu gancho predileto, olhou para mim e sussurrou-me um
Bom dia. De pé, mastigou à pressa o naco de pão de centeio que lhe ofereci para acompanhar o café quente bebido de um trago, o pensamento longe na distância da paisagem invisível. Em seguida pousou a caneca em cima da mesa de madeira escurecida pelos anos e enfiou o pesado capote de lã serrana. Abraçou-me então demoradamente e saiu de casa encostando a porta sem fazer ruído.
Fiquei a vê-la por detrás das vidraças. Reparei que estremeceu um pouco ao sentir no corpo a friagem matinal enquanto, com mão firme, aconchegava o cabeção do casaco ao pescoço para se proteger dos farrapos de neve que teimavam em descer sobre os seus ombros.
Não olhou para trás, não voltei a ver-lhe o rosto, mas adivinhei nele a determinação de sempre.


M

«Com as palavras dentro do olhar» no Palavra Puxa Palavra


Foto de Jawaa proposta para o desafio Com as palavras dentro do olhar, em 16 de maio de 2012, no Palavra Puxa Palavra

Sentei-me numa das pedras a sentir o silêncio da paisagem. Relativamente perto de mim, junto de uma senhora que presumi ser sua mãe, um menino segurava nas mãos pequeninas um cone de gelado de baunilha que ora lambia ora trincava, absorto no prazer do momento.Achei-lhe graça e espreitei-o de vez em quando, curiosa. A certa altura reparei que chorava, lágrimas tristes escorrendo dos seus olhos de um azul profundo.
Deixei cair o gelado na água, mamã, e agora está todo derretido.
A mãe acariciou-lhe demoradamente os cabelos e aconchegou-o a si. Não fiques triste, meu querido. Olha! Transformaste o teu gelado numa raia enorme. És um artista!
O menino olhou para a mãe, olhou para o lago, e assim permaneceu durante alguns minutos, como que suspenso nos seus pensamentos. Depois sorriu e disse: Parece a raia do Oceanário de Lisboa!

M

«Com as palavras dentro do olhar» no Palavra Puxa Palavra


Foto de Bettips proposta para o desafio Com as palavras dentro do olhar, em 19 de abril de 2012, no Palavra Puxa Palavra


Esquissos de voos. Precisamos deles como de mobiles sobre berços de meninos. À roda, à roda, provocando risos e gorjeios. Imparáveis. Estás presa por arames, dizia em tempos o meu irmão. Talvez. Ou será nas memórias que estou presa? Estranhas e brancas são as portas da memória. Às vezes confundem-se. Ou ajustam-se vezes outras na diferença entre si abrindo-se à união possível com o passado. E do futuro que me sobra e desconheço, escondido na sombra ao cimo da escada que lhe dá passagem? Onde tenho eu a chave desse mistério de vida ainda? Onde procurá-la? No patamar do presente? Dentro de mim?

M