sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

2013 vem a caminho


Foto de M

Que apontaremos nós nos dias que iremos desfolhando ao longo do ano? Antiguidades como a da imagem reciclada deste calendário que nos mostra bem como a História tem o seu tempo? Haverá ainda algum sorriso, nem que seja apenas de ironia? Espero que sim, os sorrisos ajudam a segurar a vida.  
M

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Natal de 2012


Foto de M 

Deixo-vos aqui o meu abraço natalício e o link de um blog onde é um prazer passear ao ar livre.

M
 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

NÓS E OS ESPELHOS


Foto de M 

Que dizer dos espelhos onde nos olhamos? 

 “Espelho meu, espelho meu, quem é a mulher mais bela do mundo?”, perguntava a rainha na história Branca de Neve e os Sete Anões.

E nós, neste nosso mundo de verdades e fantasias, dentro da história de cada um, que perguntamos, que vemos?

“Mã... mãmãmã… pápápá... cá… dádá… bó… papa...”. A criança está sentada no chão, surpreende-se, lambe o espelho inquebrável, morde-o, bate-lhe com a mão desajeitada, de tão pequena que é. 
“É o bebé, vês?”, diz a mãe, diz o pai, diz a avó, diz o avô, dizem todos, a família esgota-se em comentários e sorrisos. A criança olha para uns, observa outros, conversa em linguagem de espelho com alguém que é ela própria. Quem é esta personagem tão perto de mim, que me imita, que ri quando eu rio, que faz as mesmas caretas que eu?

 Ah, deixa experimentar de esguelha... Sou assim? Pensava-me diferente! Talvez um espelho maior me mostre uma imagem mais completa, quem sabe. Buscam-se as ruas, procura-se cada um a si mesmo nos inúmeros reflexos das montras das lojas: encontram-se aí rostos, expressões, silêncios, fantasias. Nada mais do que mundos desconhecidos por revelar, em imagens desfocadas sem resposta. 

Uma ruga?! Não estava cá ontem, tenho a certeza. 

Os espelhos, ai os espelhos! Perseguem-nos, protegem-nos também. Ali, em local inesperado, repara, mais parece um olho atento, num entroncamento de caminhos e perspectivas. Uma provocação, sabores a descobrir... 

M

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

182.


Foto de M 

Gosto de um barco à vela ao entardecer de um dia de verão. Não importa onde o barco navega nem onde o sol se põe. Um gosto meu. Podemos ter tantos! Aqui em cima da mesa encontro alguns. Ora vejam. Ainda no prato, o gosto adocicado das migalhas dos scones a lembrar conversa amena sobre as peculiaridades da cidade visitada. Tenciono embrulhá-las discretamente no guardanapo de papel e levá-las comigo quando sair da pastelaria. Mal ponha os pés fora da porta, sacudo-as num dos canteiros em redor das árvores que servem de poiso a passaritos de gosto requintado. Sei que esvoaçam por ali à procura de petiscos. E o chá a abrir-se em águas irlandesas ao canto da fotografia, também vais partilhá-lo com essas criaturinhas de asas delicadas?, perguntará a curiosidade de quem observa a imagem com atenção. Bom, não me parece que apreciem esta bebida, tenho-as visto a molhar o bico nas poças do passeio. Além do mais, cada um tem os seus hábitos.
E mais gostos haveria mas não quero cansar-vos. Ah! Não resisto a uma última confidência, antes de me ir embora daqui: Gosto de gostar. A culpa é da língua portuguesa, é muito emotiva.

M

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

181.


Foto de M 
(Claustro do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, em Coimbra)

 
Uma espécie de osteoporose no corpo da História. À semelhança dos nossos corpos de gente anquilosada descrente dos desempenhos de articulações e rendilhados ocultos dentro desta enorme complexidade que nos habita. Desconfortos. Parafusos e barras de titânio a segurarem-nos, a manterem-nos de pé, recompondo as nossas vidas, cicatrizes assinalando as nossas histórias muito particulares. Valem-nos os ortopedistas. E os arqueólogos. E os antropólogos. E os sociólogos. E os historiadores. E os cientistas. Todos eles ávidos de entendimento do universo, à procura do que nos explica e explica a vida nas suas semelhanças e diferenças ao longo dos séculos. E os artesãos. Sem pressas, o perfeccionismo guiando o ritmo de cada gesto, a imaginação em permanente viagem entre o real e o simbólico, entre o todo e o detalhe que as suas mãos são capazes de imprimir nas pedras de todos os tempos, talvez eles sejam... Sim, talvez eles sejam presenças especiais onde encontramos conforto perante a dolorosa consciência da fragilidade do mundo terreno. Porque, ao deixarem tantas vezes a sua marca de criatividade sublime na arte que fazem, exprimem o desejo de Beleza imensa sentido pelo ser humano e assim a imortalizam. Apesar das ruínas e por causa delas.

M

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

180.


Foto de M 
(Claustro do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova em Coimbra)

Estava ali há muito tempo, o recorte do abandono marcado na parede, no colo o silêncio em meditação. 

M

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

179.


Fotos de M 

Estava ali, junto do lagar de azeite da aldeia que conheço desde menina: uma espécie de tríptico num silêncio de abandono que me pareceu de há muito.
Reparei primeiro no casaco pendurado no prego, a parede branca, a porta vermelha fechada. Aproximei-me, como se precisasse de descobrir-lhe a alma dentro do forro. Ao lado, o chapéu de chuva prendeu-me a atenção. Desviei o olhar, emocionada. Porquê? Há quanto tempo naquele lugar de solidão? Só depois vi a garrafa. Quase encostada ao murete, metade cheia, metade vazia, a tampa calando-lhe a medida. Que líquido? Vinho? De quem? Para quem? Porquê este desamparo sem nome?
Não muito distante, a curva do caminho de terra batida. 
Terrível este mistério de presença que me tocou naquele dia de verão. Quem seria? Quem foi? Quem é ainda?

M

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

PRECE

Adaptação de foto de B. 

PRECE
 
Meu Deus, dai-me paciência! Tende piedade de mim, desventurada criatura que sou, injustamente forçada a aturar inteligentes complexados!
Meu Deus, se sois meu verdadeiro amigo, libertai-me daqueles outros que o dizem ser!
Protegei-me das palavras vãs dos néscios, Senhor! 
Desfaleço neste caminho de pedras que me atrapalham o passo.
Deus meu, tende misericórdia desta pobre cibernauta que anda com os pés na terra e o pensamento no céu! Mas, Senhor, se for de vossa vontade, que passe eu a estar ao contrário, com os pés no céu e o pensamento na terra! Talvez assim me seja dado um melhor entendimento das coisas, nem que seja pela posição em que o meu corpo passará a estar.
Tende compaixão de mim, Senhor!

M

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

178.


Foto de M 

Como num filme. O movimento da vida em repouso e o silêncio do olhar deixado sobre a mesa.
Longe, o murmúrio do arvoredo na leveza do vento e o canto dos pássaros abrindo a manhã.
Como num filme de encontros.

M

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

PROVÉRBIOS FOTOGRAFADOS - 20


 Foto de M

«O sono é bom conselheiro»

Rifoneiro Português por Pedro Chaves (2ª edição), Editorial Domingos Barreira