domingo, 9 de março de 2014

A VIDA EM FATIAS

Foto de M

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

200.


Foto de M

O corpo e os gestos imaginados de alguém nos objectos em repouso. Um outro corpo também, o das palavras. O pensamento desenhado em consoantes e vogais, ora curvas ora alongadas, abertas umas, contidas outras na expressão criativa da linguagem humana. Associações de ideias. Talvez porque a bengala me lembra uma letra que começou a ser escrita na folha pautada de um diário por fechar. 

M

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

199.


Foto de M

Lugar de partidas e chegadas, de encontros, de desencontros, de fantasias, de desacertos, de risos e sorrisos, de lágrimas, de mentiras, de segredos, de verdades, de diálogos, de silêncios, de solidão, de partilha, de espera, de pressas, de atropelos, de amabilidade, de cansaços, de rotinas, de aventuras, de descobertas, de observação, de reflexão, de leituras, de mistério. Assim as cores da vida. Assim as tonalidades da existência humana.
M

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

198.


Foto de M

Fotografei este recanto apenas porque o achei singular. Só agora, ao repescar a imagem para a publicar aqui, me saltou ao pensamento um versículo do Evangelho de São Mateus: «Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que fez a direita, a fim de que a tua esmola permaneça em segredo; e teu Pai, que vê o oculto, premiar-te-á. (…)». Associações de ideias que amiúde me provocam, embora neste caso o conselho não possa ser seguido à risca. Tratando-se do corrimão de uma escada estreita que dá acesso à porta de entrada de uma casa, aquela mão esquerda que o sustém saberá, na maior parte das vezes, o que faz a direita. Não a sua porque não a tem, mas a de alguém que nele se apoie para subir os degraus com mais ligeireza. Além disso, estando ela presa à parede e sendo muda, terá menor capacidade de acção. Para quem desce, a situação será diferente. Em conformidade com a habitual constituição dos braços, a tal mão direita manterá a posição dextra no corpo a que pertence, não sendo visível do lado oposto. Encontrar-se-ão então apenas as duas esquerdas, ocasião propícia ao cumprimento mútuo, suponho, seja ele contido ou mais efusivo. Aliás, «Para baixo todos os santos ajudam», lá diz o ditado. 
M

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

197.


Foto de M

Pronto. A palavra surgiu-me de repente sem eu saber exatamente o que fazer com ela, preparava eu a agenda de desafios do Palavra Puxa Palavra para janeiro do novo ano. Deixei-a sozinha, abrigada num dos cantos do pensamento, convencida de que tinha o problema resolvido se conseguisse formar uma frase onde se sentisse bem. O pior é que as palavras brincam às escondidas e amiúde desaparecem entre fissuras diversas sem que sejamos capazes de as agarrar a tempo de lhes apresentar companhia adequada. Pronto. Pronto o quê? O fim do início de uma ideia por desenvolver? Posta de parte sem se revelar? A pergunta pressupunha desistência, o que me desagradava. Talvez «Pronto a comer», embora título demasiado conciso e comercial para tamanha doçura de um Monte Dourado. Lindo o nome, o sol escorrendo sobre alvos castelos. A lembrar-me a minha Tia Chanel e a sua sobremesa habitual nos dias de festa em casa dos meus Pais. Cozinho-a eu agora, assim presentes ambas no sabor dos ingredientes que as recordações podem conter. 

M

sábado, 28 de dezembro de 2013

2014 NO HORIZONTE


Foto de M 

A caminho de um novo ano. Que 2014 nos aconchegue.
M

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

NATAL DE 2013


Foto de M

Com os meus desejos de que sejamos capazes de encontrar alguma paz interior, apesar do mundo conturbado que nos rodeia.
M

domingo, 24 de novembro de 2013

A mansidão da memória


Barcos em repouso 
(Foto de S.) 
   
Um Pedaço de Mar
   
É manso este teu gesto prateado de me tocar os pés descalços.
M
26 out 2005

Memórias do pensamento


Solidão 
(Foto de S.)
 

Alguém
 
Costumava acompanhar-se a si mesmo na vastidão da praia, os bolsos das calças repletos de conchas e búzios, pequenos presentes que o mar lançava nas suas mãos.
M
24 out 2005

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Silhuetas de memórias


Silhuetas de amigos 
(Foto de S.) 

Podia ser o título de um filme

Silhuetas de amigos. Podia ser o título de um filme a preto e branco. Mudo, com gestos apenas, daqueles em que se adivinham os afectos por detrás das fisionomias, desenrolados no mutismo da bobina, o argumento saltando para o ecrã do nosso silêncio. O silêncio do entendimento das imagens sem voz audível dentro de nós, o prazer da conjectura sobre o que não é claramente revelado.
Julgo que o ritual da pesca é também calado e pensativo, cada gesto lento, avaliado antes de a linha ser lançada longe. Um diálogo de palavras guardadas entre o pescador e a cana de pesca, expectativas atiradas sobre a água que corre mansa, desejos que flutuam, que mergulham, que desafiam. A tentação espetada no anzol, e o peixe lá em baixo, um pequeno isco atravessando-se na sua estrada azulada, obrigando a um desvio de caminho, a uma paragem. Um salto, um paladar a experimentar, um sabor a que se não resiste, um puxão na linha, um sinal rapidamente enrolado no carreto. Uma desilusão agarrada ao anzol? Que importa? Existem mais engodos miúdos dentro da cesta à espera dos dedos hábeis do pescador.

Acção! De novo o ritual da cilada, luz e sombra, contrastes na paisagem. Há que respeitar o fim do filme: um peixe preso num voo contrafeito, dançando o seu último bailado prateado a solo, pingando azul sobre o sorriso do pescador, debatendo-se a seus pés com a vida. Desistindo dela, impotente perante a degustação adiada de um homem paciente.
M
30 de Outubro de 2005