quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Livros - "A Montanha Mágica"

 

Foto de M

Comprei o livro A Montanha Mágica já lá vai algum tempo, li meia dúzia de páginas e pu-lo injustamente de lado, apenas porque tive alguma dificuldade em me concentrar na história enquanto outros livros menos volumosos me foram seduzindo. Deixei-o na companhia de outros livros e do marcador que recebi de presente de uma amiga. Gosto muito de marcadores, escolho-os de acordo com os temas dos livros. Este, com a sua espécie de écharpe de seda caída sobre a capa, pareceu-me adequado ao ambiente de A Montanha Mágica, condiz com as personagens e a história passada no início de 1900. Acordei-os há dias da sonolência em que se encontravam e recomecei a leitura na página anteriormente assinalada. Delicio-me agora com a escrita fabulosa, saboreio as descrições pormenorizadas do espaço onde a história se desenrola e sorrio com a ironia fina e perspicaz sobre os comportamentos dos que nela intervêm. Desde o olhar sobre o modo como algumas pessoas se vestem, os seus gestos, os padrões daquela sociedade em particular, os diálogos banais ou filosóficos sobre a vida, a morte, a doença, o amor, a guerra, tudo é magistralmente narrado.

M

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Livros à minha espera - "Moby Dick"

 
Foto de M
 
Moby Dick, de Herman Melville, é o livro que há bastante tempo espera por mim na estante. Vi o filme com o mesmo nome realizado por John Huston em 1956, mas dele tenho apenas uma ideia vaga. Sei que fiquei fascinada com o actor Gregory Peck e com algumas cenas mas tenho a certeza que não compreendi a essência da história. Depois de ouvir tantos escritores de renome falar da importância desta obra, achei que já era tempo de a conhecer. Procurei informação sobre Herman Melville e fiquei a saber que o seu trabalho no mar a bordo de um barco de pesca da baleia durante alguns anos terá tido influência no tema do livro.

M 

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Livros - Sempre


Fotos de M

Gosto de tantos livros, de tantos temas abordados e tantos escritores que me é difícil recomendar apenas um. Depende do que conheço de cada pessoa, dos seus interesses, do seu pensamento. Às vezes a minha eventual sugestão surge numa conversa, na sequência do que me dizem sobre algum livro que estão a ler ou leram, o respectivo autor, a escrita, a qualidade da tradução se o original não for em português. E a quem dificilmente podemos recomendar livros? Às pessoas que, pelas mais diversas razões, não tiveram a oportunidade de aprender a ler e escrever na infância ou até mesmo em adultas. É nelas que penso ao partilhar convosco estas duas fotografias. Elas falam por si.

M

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Livros da juventude

Foto de M

Na juventude li livros com temas variados. Impossível lembrar-me de todos eles. Enumero alguns, serão talvez representativos dos “temas variados” a que me refiro e mais me marcaram. Recordo a colecção Brigitte de Berthe Bernage. Adorava todos aqueles episódios que descreviam as fases da sua vida, desejando-as para mim e poder vivê-las como ela. Também li alguns livros de Machado de Assis, sendo Helena o meu preferido. Entre os livros de poesia, Sebastião da Gama fascinava-me. Camilo Castelo Branco com o seu Amor de Perdição despertava a minha curiosidade por mundos que eu não conhecia. A. J. Cronin levou-me ao Reino Unido com o seu livro A Cidadela. Todos estes livros foram importantes para mim, cada um de sua maneira. A minha juventude não desapareceu, passou à reserva. Por vezes dá-me jeito ir até ela para a misturar com a fase adulta, assim é garantia de que ainda respira. Abrimos caixas à procura de memórias e de pensamentos. Somos o resultado de um contínuo de fases com as suas características muito próprias e convém não nos perdermos de vista.

M

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Livros da infância

 


Fotos de M

Na minha infância houve livros de que gostei muito, sendo O Livro da Primeira Classe o primeiro da lista. Depois das histórias que me foram contadas ou lidas até à minha entrada na escola primária aos 7 anos, este foi o início do meu relacionamento especial com a leitura. Lembro-me perfeitamente como me encantaram os balões com letras dentro, depois as suas ligações para formar palavras e frases, num crescendo em cada página virada até ser capaz de ler textos grandes. O livro da fotografia não é o meu antigo, dei-o não me recordo a quem. Uns anos mais tarde, comprei esta reedição e pintei com lápis de cor as figuras das meninas e meninos nas contracapas (separados pelo sexo como nas escolas e por tarefas desempenhadas pelos adultos a servir de modelo), exactamente como coloria o da minha infância. Exemplos daquele tempo oferecidos como fonte de inspiração. Que caminhos outros foi preciso abrir…

M

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

À descoberta de Lisboa - 4

Aprecio medalhas em bronze. Entre elas, esta de Cesário Verde, comemorativa do centenário da sua morte, da autoria de Irene Vilar (1931-2008, pintora, escultora e medalhista). No anverso da medalha, um bonito retrato do poeta. No verso, a referência ao gosto pela temática cidade/campo representativa, penso eu, da sensibilidade e técnicas impressionistas usadas na sua escrita. A abraçar a paisagem, a transcrição Se eu não morresse, nunca! E eternamente /Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas! Pertence ao poema Horas Mortas que faz parte de O Sentimento dum Ocidental de O Livro de Cesário Verde, edição póstuma da colectânea dos poemas do poeta organizada pelo seu grande amigo Silva Pinto, em 1887. Uma edição de 200 exemplares que não foi posta à venda, apenas distribuída a parentes e amigos do poeta considerados merecedores da oferta.

Recomendo-vos que abram os links abaixo, oiçam os entendidos, comovam-se com a voz magnífica de Mário Viegas a dizer alguns poemas de Cesário Verde e espreitem a vida e obra de Irene Vilar.

M

https://nossaradio.blogspot.com/2016/04/cesario-verde-por-mario-viegas.html

https://ensina.rtp.pt/artigo/o-livro-de-cesario-verde/

https://sigarra.up.pt/up/pt/web_base.gera_pagina?p_pagina=antigos%20estudantes%20ilustres%20-%20irene%20vilar

https://pt.wikipedia.org/wiki/Irene_Vilar


Fotos de M

domingo, 13 de setembro de 2026

À descoberta de Lisboa - 3

O Jardim Cesário Verde fica bem naquela zona residencial histórica do Bairro dos Açores (inicialmente chamado Bairro Linhares) em que as ruas têm nomes das ilhas açorianas: Rua Açores, Rua da Ilha Terceira, Rua da Ilha do Pico, Rua de Ponta Delgada… Uma homenagem aos Açores pelo apoio dado aos liberais durante a luta entre liberais e absolutistas na chamada Guerra dos Dois Irmãos D. Pedro IV e D. Miguel em 1832-1834. É contemporâneo da construção das Avenidas Novas no final do século 19 no plano urbanístico de Frederico Ressano Garcia.

Em tempos idos, tinha já passado pelo jardim, mas só recentemente o espreitei com olhos de ver. Era primavera e o dia estava lindo. Agradou-me o que encontrei naquele espaço aberto de 2500 metros quadrados, árvores, luz e sombras, tão bonitas as correntes verdes a circundar os canteiros de flores, a lembrar mãos dadas. Soube, depois de lá ter estado, que possui desde 1947 uma árvore classificada como Interesse Público, Cedrus atlantica (Endl) Manetti ex Carrière, mas não faço ideia qual delas seria. A ignorância tem destas coisas. Em 2021, a Junta de Freguesia de Arroios reabilitou o jardim executando trabalhos para restituição da permeabilidade dos solos e substituição do piso. O busto de Cesário Verde, à beira do passeio da Rua de Dona Estefânia, foi executado por Maximiano Alves (Lisboa, 1888 – 1954) e inaugurado em 1955. Fiquei também a saber que ele era filho de um gravador da Casa da Moeda, concluiu o Curso de Escultura na Escola de Belas Artes de Lisboa em 1911, e recebeu o grau de Oficial da Ordem Militar de Santiago de Espada em 1932 pela concepção e execução do Monumento aos Mortos da Grande Guerra, na Avenida da Liberdade, inaugurado em 1931.

M










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