Foto de M (*)
Penso que na velhice, apesar das debilidades do corpo a requerer
manutenção mais frequente, a maturidade que foi crescendo connosco pode atingir
o seu máximo se tivermos abertura para questionar certezas antigas, reflectir
sobre o mundo que vai mudando vertiginosamente e aprender tudo o que de interessante
nele for surgindo. A dificuldade é que, ao mesmo tempo, não encontramos o nosso
lugar completamente ajustado à dinâmica da época de que ainda fazemos parte. A nossa
inclusão na sociedade nem sempre é satisfatória. As vivências e ambientes familiares
que transportamos desde que nascemos, as idades, linguagens e desfasamentos das
etapas em que cada pessoa se encontra são tão diversas e amiúde tão centradas
em si mesmas que se fica numa espécie de orfandade. Orfandade essa, aliás, passível
de ser sentida em qualquer fase da vida, mas como o tema de hoje é sobre a
velhice e já lá estou… Julgo que a falta de curiosidade e desinteresse pelas
experiências e pelo pensamento das pessoas, quer pertençam à mesma geração quer
intergeracional, serão duas das diversas razões para os desajustes. Na Natureza
acontece tudo de maneira mais simples porque existe uma alternância natural.
M
(*) Parte da obra de Olafur Eliasson nos jardins do Museu de Arte Contemporânea de Serralves