sábado, 23 de maio de 2026

O saquinho vermelho

Foto de M

Rusga, palavra proposta para o desafio desta semana no PPP. Não a conhecia associada a danças. O único significado que lhe atribuía era o de «operação policial rápida e inesperada em locais considerados suspeitos». Fiquei aliviada quando, nas minhas buscas na Internet, encontrei o significado ajustado ao nosso caso: «Aglomeração festiva de pessoas que desfilam cantando e dançando, comum em festas populares como o S. João.» Vi também imagens de grupos desfilando alegremente nas ruas, entre eles alguns dançarinos a tocar castanholas. Lembrei-me logo das castanholas da minha sogra, guardadas num saquinho vermelho que foi passando de mãos para divertir netos e bisnetos. Ainda há dias lhe tinha mexido, ao arrumar em caixas uma série de brinquedos que ficarão à espera do tempo de serem revisitadas. Porque me parecera ter ele perdido o brilho dos seus anos de festa, tinha-o lavado e passado a ferro e guardado com as suas protegidas. Eis senão quando a Agrades propõe uma rusga! Acordei o saquinho do seu sono recente e relembrei as histórias contadas pela sua dona, comprovativas da importância que as castanholas tiveram na sua vida, quando frequentava uma aula de dança em Lisboa.

M

terça-feira, 19 de maio de 2026

Inesquecível


Foto 1 de M

Foto 2 retirada da NET   

Inesquecível a cena final interpretada pelo bailarino Jorge Donn no filme Les Uns et les Autres de Claude Lelouch realizado em 1981. Lindos de morrer são a música de Maurice Ravel e o movimento cadenciado do corpo do bailarino a dançar o Boléro num crescendo que nos envolve e se deseja interminável. Segundo li, esta obra nasceu do pedido feito ao compositor pela actriz e bailarina russa Ida Lvovna Rubinstein para ele compor a música para um novo bailado. Seria ela a escolhida para o dançar no dia da estreia em Paris na Ópera Garnier, em 22 de Novembro de 1928. De boa vontade teria eu assistido a essa apresentação sentada na plateia, ataviada com um bolero elegante escolhido para a ocasião. Limito-me a vestir roupa mais prática e, no silêncio da minha sala, oiço, sempre que me apetece, o CD comprado em 1987, ou revejo o filme no ecrã da televisão. E ainda, quem sabe, poderei eventualmente ter a possibilidade de voltar a encantar-me com ele nalgum cinema que apresente obras antigas de relevo.

M

Bolero de Ravel - Metropolitana

terça-feira, 12 de maio de 2026

O sabor da salsa

 
Foto retirada da Net

Não fazia ideia de que em castelhano salsa significa “tempero”, por  isso achei graça à iniciativa de quem adoptou o nome Salsa à mescla de ritmos e sons musicais, transmite realmente a ideia de uma música com sabor. Foi pena nunca ter aprendido a dançá-la quando o meu corpo me permitia maior flexibilidade de movimentos. No meu tempo… dizia a minha Tia Chanel. Pois é, tudo terá o seu tempo próprio. Limito-me a usar salsa nos cozinhados, confiante de que fiquem mais saborosos e satisfaçam o paladar e o olfacto de quem se sentar à minha mesa. Graciosos e significativos são os raminhos de salsa fresca quando aconchegados com baraços, não acham?

M

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Irrequieto é o pensamento



Fotos de M 

Nunca dancei o Vira nem o vi dançado ao vivo, apenas em documentários. Mais conhecido como característico do Minho, é também chamado e coreografado de formas diferentes noutras províncias de Portugal. Ó vira, que vira, e torna a virar... Virou! Fiz o mesmo: virei-me para o meu ficheiro de fotografias à procura de Viana do Castelo no verão de 2015. Tinha chovido, a praça estava vazia, apenas as fitas penduradas davam cor festiva à manhã enevoada. Não sei se tinha havido ali algum espectáculo. Imaginei-o. Virou! E eu virei de novo: agora para Aveiro, a bela cidade que revisitei há poucas semanas. Nos estreitos canais deslizavam os moliceiros cheios de gente, passando debaixo das pontes metálicas onde fitas marcam presenças debruçadas sobre as águas. Virou! O cruzamento de barcos, os sons graves do apito tocado pelos barqueiros a sinalizar manobras de navegação em segurança mais as fitas levaram-me de novo à praça minhota e aos pares dançarinos dos ranchos folclóricos na coreografia do Vira. Irrequieto é o pensamento.

M