quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O Ser Humano e a Natureza - Velhice / Inverno

Foto de M (*)

Penso que na velhice, apesar das debilidades do corpo a requerer manutenção mais frequente, a maturidade que foi crescendo connosco pode atingir o seu máximo se tivermos abertura para questionar certezas antigas, reflectir sobre o mundo que vai mudando vertiginosamente e aprender tudo o que de interessante nele for surgindo. A dificuldade é que, ao mesmo tempo, não encontramos o nosso lugar completamente ajustado à dinâmica da época de que ainda fazemos parte. A nossa inclusão na sociedade nem sempre é satisfatória. As vivências e ambientes familiares que transportamos desde que nascemos, as idades, linguagens e desfasamentos das etapas em que cada pessoa se encontra são tão diversas e amiúde tão centradas em si mesmas que se fica numa espécie de orfandade. Orfandade essa, aliás, passível de ser sentida em qualquer fase da vida, mas como o tema de hoje é sobre a velhice e já lá estou… Julgo que a falta de curiosidade e desinteresse pelas experiências e pelo pensamento das pessoas, quer pertençam à mesma geração quer intergeracional, serão duas das diversas razões para os desajustes. Na Natureza acontece tudo de maneira mais simples porque existe uma alternância natural.

M

(*) Parte da obra de Olafur Eliasson nos jardins do Museu de Arte Contemporânea de Serralves

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

O Ser Humano e a Natureza - Maturidade / Outono

 

Fotos de M

Chega a maturidade no tempo próprio, a isso a levaram a infância e a adolescência, nenhuma delas ficou parada a ver-se crescer nas marcas feitas com lápis na parede junto da ombreira da porta do quarto. É uma maturidade a longo prazo, em permanente construção, abrindo janelas, fechando outras, capaz de enfrentar desafios e escolhas a nível familiar e profissional, a cada pessoa o seu modo de os desejar e conseguir. Mais firme e responsável é o caminho: pensado, partilhado num novo núcleo familiar a acrescentar ao de origem ou ao mundo em redor. Uma maturidade sem limites, vivida no presente e oferecida ao futuro com nome de outono. Há tempo, o outono não tem urgência, costuma dar sinais de si pouco a pouco na folha amarela a soltar-se do ramo, a esvoaçar até ao chão, periclitantes aquelas outras empurradas pelo vento. Tão bonitos são os tons do desapego a formar tapetes sobre os quais assentamos os pés, embora um pouco mais lento o passo.

M

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

O Ser Humano e a Natureza - Adolescência / Verão


Fotos de M

Introspecção, ingenuidades, dúvidas, curiosidades, sonhos, desilusões, amores, livros com histórias românticas dentro, família, amigos, alegrias, risos, tristezas esburacando a alma, revoltas, palavras ditas, aceitações, silêncios órfãos de compreensão. Tudo isso fará parte do espaço sagrado da adolescência, cada pessoa com a sua.

O verão será o tempo sem horas impostas, alternando indolência com frémito. Paira no ar, vibrante, desce às cidades, às praias, às aldeias, aos campos, dança ao ritmo da música nas noites quentes, espreguiça-se no acordar tardio das manhãs luminosas. O verão das divisões climáticas anuais regressa em anos consecutivos, ainda que com manifestações de humor diferentes. A adolescência, alcançado o seu tempo de maturação, resguarda-se e, com a infância pela mão, regressa na memória dos dias, espreitando-nos ambas ao longo dos caminhos que vamos pisando.

M