segunda-feira, 15 de junho de 2026

Ainda...

Foto de M

Ainda…

Ainda me lembro do almoço de família de há muitos anos em que este prato me levou a pensar numa paleta de pintor. Gostei de o imaginar assim, os docinhos como tintas disponíveis para serem usadas em tela de ternuras pendurada para sempre nas paredes da minha casa-memória.

M

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Depois...

Foto de M 

Depois…

Cá está mais uma palavra a empurrar reticências. Por acaso até vem a propósito, serve para continuar a mini história da semana passada sobre os candeeiros de petróleo. 

Depois do fim das férias na aldeia, a família regressava a Lisboa, eu às aulas no velho liceu perto de casa. Encerrado alguns anos após eu já ter saído de lá, foi-se degradando a olhos vistos, à espera de uma outra função. Comprado e restaurado pelo coleccionador de arte Armando Martins para albergar a sua colecção de arte, é agora o belo museu MACAM. Quando o visitei pela primeira vez, tive uma sensação estranha e ao mesmo tempo familiar. Durante cinco anos, tinha descido e subido vezes sem conta aquela escada à esquerda na fotografia que dá acesso ao espaço ajardinado. Do que me recordo, nesse outro meu tempo este espaço era apenas um pátio de chão acinzentado sem graça, com o mesmo lago de agora mas sem nenhuma obra de arte pousada nele. Era para lá que corríamos nos intervalos das aulas para jogar ao ringue, à rolha, saltar à corda e rir muito. O antes e o depois juntos na minha vida.

M

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Quando...

Foto de M

Quando...

Gosto de palavras que empurram reticências como se empurrassem um carrinho cheio de surpresas. Serão aqueles três pontinhos convites para elas entrarem em contacto com as pessoas que as leem? Convites envergonhados? Provocadores? Pacientes? Curiosos das reacções de quem repara nelas? Acho que podem ter muitos significados. Estarão ali “Para a troca”, como dizem os miúdos a negociar cromos de jogadores de clubes de futebol em falta nas suas cadernetas. No caso deste Quando…, arrisco interpretá-lo como um pedido para eu contar uma história pequenina, a condizer com o tamanho da menina que fui:

Quando eu era criança e passava férias numa aldeia não havia electricidade dentro das casas. Ao anoitecer, acendíamos candeeiros de petróleo que apagávamos quando nos deitávamos. Eram estes da fotografia. Dormiam em pé o resto da noite em cima daquele móvel, ao lado do prato do galo, e acordavam manhã cedo, estremunhados (e nós também) com o canto dele a anunciar o novo dia.