segunda-feira, 1 de junho de 2026

Quando...

Foto de M

Quando...

Gosto de palavras que empurram reticências como se empurrassem um carrinho cheio de surpresas. Serão aqueles três pontinhos convites para elas entrarem em contacto com as pessoas que as leem? Convites envergonhados? Provocadores? Pacientes? Curiosos das reacções de quem repara nelas? Acho que podem ter muitos significados. Estarão ali “Para a troca”, como dizem os miúdos a negociar cromos de jogadores de clubes de futebol em falta nas suas cadernetas. No caso deste Quando…, arrisco interpretá-lo como um pedido para eu contar uma história pequenina, a condizer com o tamanho da menina que fui:

Quando eu era criança e passava férias numa aldeia não havia electricidade dentro das casas. Ao anoitecer, acendíamos candeeiros de petróleo que apagávamos quando nos deitávamos. Eram estes da fotografia. Dormiam em pé o resto da noite em cima daquele móvel, ao lado do prato do galo, e acordavam manhã cedo, estremunhados (e nós também) com o canto dele a anunciar o novo dia.

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