quarta-feira, 26 de agosto de 2026

À descoberta de Lisboa - 1

Neste último ano, passei várias vezes a pé na Rua de Dona Estefânia, no troço entre o Arco do Cego e o Largo de Dona Estefânia, uma rua de trânsito intenso. A arquitectura dos edifícios é uma miscelânea de estilos e épocas, as montras das lojas parecendo estagnadas na determinação dos donos de outros tempos. Nos passeios largos, copas frondosas de árvores enormes espreitam janelas. Mas a minha especial atenção recaiu sempre sobre uma casa de dois andares baixos, entalada entre dois prédios com vários pisos. Paredes em mau estado, janelas amordaçadas, cortinas rasgadas morrendo nos vidros, a porta, calada. Impressionava-me aquele abandono triste e perguntava-me quem ali teria vivido, desde quando. Em junho passado fiquei surpreendida: a casa tinha sido demolida, podendo-se avistar, para lá do gradeamento de protecção colocado no passeio, das máquinas e do entulho, algum arvoredo e uns telhados baixos, entre a rua de Dona Estefânia e os edifícios ao longe no plano mais acima. Teriam sido o último reduto de famílias resistentes a novos projectos urbanísticos no bairro? Não sei, apenas encontrei uma referência na Internet sobre ter sido apresentado, em abril de 1892, um requerimento à Câmara Municipal de Lisboa para o loteamento e abertura de ruas na antiga propriedade dos condes de Linhares. Pelos vistos, vão ser construídas novas vidas naquele espaço, porque as dos condes de Linhares e as da casa demolida já “foram à vida”.

M







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