sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Da beleza das flores no meu caminho


Foto de Bettips

Obrigada! É linda!

M

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

sábado, 18 de dezembro de 2010

Natal de 2010


Foto de M

Entre a terra e o céu, cada um de nós.

Que o Natal nos acolha a todos neste frio Dezembro do mundo dos homens.

M

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

125.




Fotos de M

Quando a lua cai à terra, traz perfume de rosas e pousa no meu lavatório. Outras vezes, tem sabor de gelado de morango a derreter-se devagarinho entre os dedos húmidos das minhas mãos.
M

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

124.


Foto de M

A madeixa do Outono e a natureza das coisas.

Breve o cântico verde das árvores, efémero o sussurro dourado do sol que lhe toma o lugar entrelaçando ilusórios fios de filigrana nos corpos cansados dos pássaros. Entorpecido o voo, encarquilhadas as asas, espreita-os o vento e deles se compadece. É suave o sopro do vento. Venham comigo. E eles vão. Descem devagar, cada um agarrado ao dorso de uma folha seca a dançar no ar o movimento do tempo nos seus permanentes avanços e retornos. Quando tocam o chão, apenas os meninos de passos leves os vêem e os levam para casa dentro das suas mãos pequeninas.

M

terça-feira, 5 de outubro de 2010

123.


Foto de M

O cão de guarda de um lugar de sempre. O seu nome é Nó.
M

122.


Foto de M

Relógio de sol. O meu.

M

domingo, 3 de outubro de 2010

121.


Foto de M

Ainda a luz que me comove e me conforta. À beira de uma estrada que reconhece os meus passos calados.
M

120.








Foto de M

Da beleza nos caminhos deste mundo. Como uma metáfora, assim a vejo. Talvez por causa da nossa necessidade de consolo, pobres seres amargurados que somos.

Luz
Sombras
Frescura
Seiva
Graciosidade
Fragilidade
Resistência
Brevidade
Aceitação
Serenidade
Presença

M

sábado, 2 de outubro de 2010

119.








Foto de M

O mesmo lugar ainda e a luz coada do silêncio. Um lenitivo. Como gaze balsâmica pousada sobre as dores de um mundo em carne viva.

M

118.


Foto de M

Poderá ser de certo modo dolorosa a quietude dos lugares. Por causa do diálogo incessante entre presença e ausência na memória do tempo histórico.

M

domingo, 19 de setembro de 2010

117.


Foto de M

Os ângulos de um silêncio em que apoio o corpo e a alma.
M

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Brincando aos puzzles...












Fotos de M

I'm completely puzzled. And you?

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

116.


Foto de M

Da harmonia dos gestos na fruição dos sentidos e do pensamento.
M

domingo, 12 de setembro de 2010

115.


Foto de M

Gosto de janelas.
Nesta imagino no nó da cortina por detrás da vidraça a ternura de alguém que abraça uma criança sentada a seu lado a espreitar o mundo.
M

domingo, 8 de agosto de 2010

114.


Foto de M

No seu tempo não havia estas rosas na Quinta, pois não, mas lembro-me que eram de tecido róseo - tão iguais a estas!-, as que enfeitavam a aba do seu citadino chapéu de palha amarela, com fina rede no mesmo tom a realçar-lhe o rosto. Era tão bonita aquela intimidade de cores campestres pousada sobre os seus cabelos já um pouco grisalhos!
Tenho tantas saudades tuas, Mãe! Saudades de me sentar ao teu lado a contemplar o silêncio do vale que fala e nada dizermos porque não era preciso.
O lugar continua a ser o mesmo, sabes, por isso vou pôr a minha cadeira ao pé da tua, está bem?
M

sábado, 7 de agosto de 2010

113.


Foto de M

A Natureza tem destas coisas: pousa ao acaso nos caminhos dos peregrinos deste mundo e neles constrói ninhos de solidão que é ao mesmo tempo presença viva. Num mesmo lugar, tocando-se a medo na fragilidade de ambas, a secura encarquilhada de vozes quebradas pelo desalento e a delicada tessitura dos silêncios por dizer.
M

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

112.


Foto de M

No movimento do Tempo me refugio, sentada no mesmo lugar de sempre, companheiro amigo do meu olhar de silêncios.
M

terça-feira, 20 de julho de 2010

O Prazer de Viajar - 33


Foto de M

cada pássaro é a sombra, tatuada,
de um anjo

Emanuel Jorge Botelho

21 Haiku com Asas (Terceiro Livro, Emanuel Jorge Botelho – Urbano), in 21 Haiku com Asas, Urbano, e Cabras, Galeria 111

(Madalena, Ilha do Pico)

O Prazer de Viajar - 32


Foto de M

Rendas do Pico – 100 Anos de Memória

“As rendas do Pico levam, de memória, já cem anos e pertencem a um tempo de mulher que foi, em simultâneo, suave e sofredor. Ninguém já se lembra bem desses dias do princípio, dessa distância onde assenta a construção de uma epopeia. Multiplicara-se a gente, a terra tornara-se escassa e avara para pão, fechara-se o mar também à emigração e foi nesse quadro que a renda se tornou ofício de mulher, que ganhou o jeito de um estranho ganha-pão.

Nas horas quietas do dia, quando os homens lavravam terra ou rompiam roços de uma estrada, as lides domésticas acabadas, lenhas, águas do poço de maré já carregadas, ei-las, as mulheres, sentadas à janela ou no balcão, novelos de algodão sobre o regaço, uma farpa de ferro magoando às vezes sua mão, ei-las, as rendeiras. Quase sempre sentavam junto de si as suas filhas, logo aos oito anos, ainda eram meninas. À noite reuniam em longo serão, azeite de baleia ardendo na candeia antes de chegar a luz branca do candeeiro “Petromax”, contavam as histórias de vida dos antigos e cantavam.

Cresciam sobre panos brancos as rosetas que elas próprias uniam construindo toalhas de mesa ou naperons. Mais vezes as confiavam às mulheres que davam rendas a fazer, jeito de “empresárias” que governavam a produção e o mercado e eram estas quem depois mandava organizar, com leques de rosetas, as toalhas de mesa e às vezes de altar, os jogos de naperons, as blusas, as beiras de lençol ou de almofada. Obras-primas geravam-se pela sábia combinação dessas rosetas cujo nome se inventara a partir da terra, da natureza que ficava ao seu redor. Chamavam-lhes flores do alecrim, silvas, tremoço, amoras, dálias, margaridas, cachos de uvas, flor do maracujá. E havia as flores da paixão e do martírio. Mas estas nasciam só do coração.

S. Mateus, freguesia da Madalena, a Sul do Pico, foi, por natureza, o berço do ofício. Depois estendeu-se a S. João, às Ribeiras, deu a volta à ilha. As rendas vendiam-se na roda da ilha, em casas de comércio do Faial, no Continente ou seguiam para mercados do Brasil, do México, dos Estados Unidos. E as rendeiras compravam com o dinheiro que juntavam, o enxoval, se eram solteiras, mães de família ajudaram a erguer casa onde viver, compraram milho para o pão de cada dia, pagaram os estudos dos filhos, na cidade.

Ainda há quem faça rendas em S. Mateus, ainda há muitas rendeiras pela ilha. Mas as rendas já não são, como dantes, ganha-pão. São herança. São memória. Tal e qual como as canoas baleeiras. Tal e qual como os marouços, as adegas, os currais de vinha e os caminhos que faziam para a montanha, antigamente, os velhos pastores. Só por isso as rendas se apresentam, celebrando a terra e as rendeiras, nesta Exposição.”

Alberto Correia

(Artigo retirado da net no site da Câmara Municipal das Lajes do Pico http://www.municipio-lajes-do-pico.pt/paginas.asp?id_sec=78&idDestaque=42)

(São Mateus, Ilha do Pico)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O Prazer de Viajar - 31


Foto de M

CANÇÃO DA VIDA VIVIDA

Pus-me diante da vida
Com os meus braços abertos:
Em vão buscaram meus olhos
A rota dos meus destinos
Pelos caminhos incertos

Passou a chuva e o vento
Passou o sol e o luar
Vieram sombras incertas
Sombras incertas se foram
Sem nunca se demorar

Trazia os braços abertos
Queria abraçar a vida
Senti-la junto de mim:
Fiz o meu rumo às estrelas,
Rasgado no céu sem fim

Errei por montes e vales
Sempre mais só sem abrigo
Vieste tu ao meu encontro,
E em teus braços me prendeste,
Disseste: - fica comigo

Faixa 15 do CD HELENA CANT’AUTORES AÇORIANOS
Música, Arranjo e Piano: Carlos Frazão; Letra: Armando Cortes Rodrigues; Contrabaixo: Mike Ross; Violinos: Manuel Rocha; Bateria e Percussões: Joaquim Teles (Quiné); Voz: Helena

O Prazer de Viajar - 30






Fotos de M

CANÇÃO AÇORIANA
(SAPATEIA TEIA, TEIA)

Oh sapateia teia, teia que me prende
Neste novelo de tantas inquietações
Amarga e doce minha lira que se acende
Nesta viola que há-de ter dois corações

Pedras tão negras tatuadas pelo vento
Pedras queimadas pelo rocio do mar
São sentinelas da saudade, do lamento
De estar tão longe, meu amor, do teu olhar

Vai minha galera
Navegar o mar imenso
Nas marés que o tempo amanheceu
Nesta longa espera
Sei que ainda te pertenço
Pois sei que a nossa lira não morreu


Faixa 13 do CD HELENA CANT’AUTORES AÇORIANOS
Música e Letra: José Medeiros; Arranjo e Piano: Carlos Frazão; Contrabaixo: Mike Ross; Violinos: Manuel Rocha; Bateria e Percussões: Joaquim Teles (Quiné);
Viola da Terra: Luís Gil Bettencourt; Voz: Helena e José Medeiros

domingo, 18 de julho de 2010

O Prazer de Viajar - 29




Fotos de M

Felizmente que hoje em dia as baleias são bem vindas ao Pico por razões outras que não as de outros tempos…
E se alguém não quiser ir ao seu encontro (pacífico, agora) no alto mar e preferir conhecer, em terra, o seu passado e o dos seus adversários na luta de ambos pela sobrevivência, o museu é ali a dois passos.
M


(Lajes do Pico, Ilha do Pico)

O Prazer de Viajar - 28


Foto de M

«…Contam que a mãe acompanhada pelo filho, que nasce logo com quatro ou cinco metros de comprido, é mais fácil de subjugar, chegando o ambaque (baleia preta) a deixar-se matar quando lhe apanham o pequeno: basta feri-lo ao pé do rabo e puxá-lo para o bote. A mãe já não o larga e prefere, se não pode fugir com ele metido debaixo da asa, que a acabem às lançadas. Quer dizer: esta coisa monstruosa e zincada, com óleo na cabeça, não só come e digere, não só dorme e digere – é capaz de ternura e sacrifício.»

Raul Brandão, As Ilhas Desconhecidas – Notas e paisagens, Edição Artes e Letras Açores, Setembro de 2009


(Monumento ao baleeiro no Cais do Pico, Ilha do Pico)

sábado, 17 de julho de 2010

O Prazer de Viajar - 27







Fotos de M

A espantosa cor da dimensão histórica na paisagem interior de cada um de nós.
M


(Zona da Criação Velha, Ilha do Pico)

O Prazer de Viajar - 26






Fotos de M

«O vinho branco do Pico, feito de verdelho e criado na lava, é um líquido, com um pique amargo, cor de âmbar, e que parece fogo. Erguem (*) uma pedra, atiram um punhado de terra para o buraco e a videira deita raízes como pode, abrigada no curral pelos muros e estendida no chão sobre calhaus. Só lhe levantam um pouco as varas quando o cacho está perto de amadurecer. O Pico já deu milhares de pipas de vinho, que exportava quase na totalidade para a Rússia.»

Raul Brandão, As Ilhas Desconhecidas – Notas e paisagens, Edição Artes e Letras Açores, Setembro de 2009


(*) na 1ª edição «Levantam».


(Zona da Criação Velha, Ilha do Pico)

O Prazer de Viajar - 25










Fotos de A com algumas adaptações de M

Lugar de férias e de fins-de-semana junto da costa, e porque de certo modo triste e solitário, interrogo-me como se entretêm os que aqui vêm de visita? Levarão para dentro de casa a cor com que aliviam um pouco o negrume da paisagem? Ou serão eles próprios a cor e o espírito que lhes habita as horas, revivendo o passado a seu modo e confiando-lhe a alma da presença viva, para que nada se perca?
M


(Cachorro, Ilha do Pico)