quinta-feira, 4 de julho de 2024

À volta das notas musicais - Ré

Fotos de M

Ora tendo sido nós convocados esta semana para pegarmos na nota musical e a usarmos como nos apetecer, aqui estou eu a marcar presença inspirada no livro Ismael e Chopin. Relê-lo agora foi um prazer imenso. Desde o texto às cores da capa e às ilustrações de Fernanda Fragateiro, tudo nele é muito bonito. E sendo Chopin uma das personagens principais da história, deliciei-me a ouvir uma vez mais a pianista Maria João Pires a tocar os 21 Noturnos do compositor. Embora todos eles lindíssimos, parece-me adequado mencionar especialmente o Noturno nº 8 em bemol maior. Por causa do que aqui nos chamou esta semana e pelos temas abordados na história, entre eles a importância da música no mundo. Um livro apreciado por adultos e crianças que dá gosto afagar com o olhar e a delicadeza nos dedos das mãos.

Ismael e Chopin, Miguel Sousa Tavares, Oficina do Livro, 2010

Chopin, The Nocturnes, Maria João Pires, Deutsche Grammophon, 1996

M

sábado, 29 de junho de 2024

À volta das notas musicais - Dó


Fotos de A

A quem sabe ler as notas musicais numa pauta devo meter dó. Pois é, infelizmente não as sei identificar bem. Do que me lembro, terei aprendido na escola algo básico, deveria fazer parte do programa escolar, tenho uma vaga ideia de desenhar notas e claves nas pautas e de lhes achar graça. Apenas identifico o , e o grave em particular, tocado num teclado ou piano, quando usado como exemplo. Por ser o primeiro na linha genealógica da família musical? No entanto, não é essa falha no meu currículo de ser humano em aprendizagem permanente que me impede de apreciar boa música e reconhecer temas e melodias em determinadas obras, ligando-as aos respectivos compositores. Cada compositor tem as suas características e o meu ouvido habituou-se a distingui-las, assim como o nível de qualidade do que escuto. Não me chamo Mimi, em criança não ia pelos mesmos trilhos que ela, mas também andava ao sol, a pé, de trotineta e bicicleta. De automóvel passeava às vezes, mas do que me lembro, popó nenhum dos adultos da família lhe chamaria. Nem eu, a palavra não me seduz, aceito-a se for usada para rimar com a nota ou com avó, por causa do café dela. Com fá-mi-ré em vez de açúcar. Seja como for, no meu tempo de menina não existia este livro com CD incluído que comprei para os meus netos e foi apreciado nas idades próprias e em escadinha, à semelhança dos tons das várias escalas musicais.

M

segunda-feira, 24 de junho de 2024

A propósito das festas de São Pedro

 

Foto de M

Pelos episódios narrados no Novo Testamento sobre Pedro, sou levada a apreciar a personalidade deste homem. Um pescador conhecedor da sua arte, frontal, emotivo, entusiasta, generoso, medroso também, capaz de assumir os seus erros e chorar por causa deles (três vezes negou, quando interrogado, a sua ligação com Jesus), crente e ao mesmo tempo incrédulo. Para exemplificar o que digo, transcrevo parte do significativo episódio narrado por Mateus: «(…) Depois, Jesus, obrigou os discípulos a embarcar e a ir adiante para a outra margem (…) A barca ia já no meio do mar, açoitada pelas ondas, pois o vento era contrário. Na quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Ao verem-no caminhar sobre o mar, os discípulos assustaram-se, dizendo: «É um fantasma!» E gritaram. No mesmo instante, Jesus falou-lhes, dizendo: «Tranquilizai-vos, sou Eu; não temais». Pedro respondeu-lhe: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». «Vem, disse-lhe Jesus. E Pedro, descendo da barca, caminhou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento, teve medo e, começando a ir ao fundo, gritou: «Salva-me, Senhor!» Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?» (…)» E mais exemplos poderia aqui acrescentar. (*)

Num outro registo, porque os temas bíblicos me merecem esclarecimento histórico adicional, lembro Emmanuel Carrère no seu interessantíssimo livro O Reino em cuja badana o autor diz: «A certa altura da minha vida fui cristão. Durou três anos. Depois acabou. Assunto encerrado, portanto? Não inteiramente, uma vez que vinte anos depois senti necessidade de regressar ao tema. E os caminhos do Novo Testamento que em tempos percorri como crente, percorro-os hoje de novo – como romancista? como historiador? Como inquiridor, digamos.» (**)

(*) In Bíblia Sagrada, Versão dos textos originais, 8ª edição, 1978, Difusora Bíblica (Missionários Capuchinhos)

(**) In O Reino, Emmanuel Carrère, Abril 2021, Edições tinta-da-china, Lda.

M