sexta-feira, 18 de abril de 2025

O cartão e o Pensador



Fotos de M

Gosto muito de os ver. O meu olhar foge para eles a todo o momento. O Pensador encostado à paisagem retirada do livro Les Climats, da Comtesse de Noailles, com ilustrações de François-Louis Schmied, publicado em 1924. Um livro raro, ainda à venda por aí, é pena não o ter. Belíssimo. Tenho o cartão que me foi oferecido em 2003, suponho que comprado no Museu Calouste Gulbenkian. O Pensador, figura emblemática de Angola, foi-me também oferecido. Adoro os dois, sempre ao alcance do meu olhar.  Ficam tão bem na companhia um do outro. De certo modo, representam o enorme bem estar que sinto desde criança quando passeio por caminhos campestres.

M 

quinta-feira, 10 de abril de 2025

Sobre as águas do Rio Tejo

Foto de M

Sobre as águas do rio Tejo e o Castelo de Almourol ao longe. Esquecendo ou lembrando as pelejas de outros tempos? De luz e sombras se faz a História conforme o pensamento e as vivências dos homens. 

M

Nota: Aos interessados na história do Castelo de Almourol, sugiro que visitem o link abaixo.

https://visitbarquinha.pt/o-que-fazer/castelo-de-almourol/ 

quarta-feira, 9 de abril de 2025

Gosto de ampulhetas

 
 Foto de M

Gosto de ampulhetas. Medem os limites do Tempo no gesto repetido, arrastando consigo a intermitência das sombras e da luz.

M

quinta-feira, 3 de abril de 2025

Reflexões sem certezas


Fotos de M

«Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa». Não conhecia a expressão, achei-lhe graça a primeira vez que a ouvi. Surgiu-me agora do nada ao pensar como responder à proposta da Mena para esta semana de desafios no PPP. Fantasia versus Realidade ou Mentira versus Verdade. À escolha. Na minha opinião os conceitos das quatro palavras interligam-se em cada par e com os dois pares entre si. Julgo que uma realidade pode ser realidade para umas pessoas e para outras ser considerada fantasia. Se eu desejar muito uma determinada coisa ou situação, por exemplo, talvez a tome como certa e então essa fantasia passa a ser realidade para mim. Do mesmo modo somos confrontados com o dilema de a mentira poder ser verdade e igualmente o contrário, dependendo de como cada pessoa sente e pensa uma mesma coisa. Portanto, o melhor é não esmiuçar nem fazer disto um quebra cabeças. Fica esta fotografia de dois pássaros. Um é real, vi-o empoleirado no alto das telhas a observar o azul do céu e ouvi-o saudar o amanhecer. Ao outro, de tanto me encantar com ele, fantasiei-lhe penas macias e tomei-o como real.

M

quinta-feira, 27 de março de 2025

E Ficar Ali

Balança vazia

(Foto de S.)

E Ficar Ali

Este prazer imenso de tocar a quietude e de a sentar ao nosso colo! E esperar que ela nos dê um beijo azul. E depois outro, em tons de verde salpicado de branco, cheirando a flores e a laranjas. E ainda outro, límpido de tão calado. E ficar ali à espera do voo dos pássaros, esquecendo os pesos do mundo.

M 

(Texto escrito em 2006, mas tão actual pode ele ser no contexto mundial que vivemos)

segunda-feira, 24 de março de 2025

Dentro do estômago do pensamento

Clair de Lune

(Foto de S.)

   Claire de Lune

Passam as histórias de boca em boca, de ouvido em ouvido, de fantasia em fantasia. Comem-se frases, sílabas, letras. Às vezes. Conforme a boca de quem as conta, conforme o ouvido de quem as ouve, conforme a imaginação de cada um. Mastigam-se e engolem-se. Ficam dentro de nós, em pedaços separados, dentro do estômago do pensamento. Quem sabe então se este Clair de Lune que paira entre as ruínas de um mosteiro no alto da Serra de Montejunto não terá sido o nome de alguém a quem, na ânsia de lhe contar e conhecer a vida (ou de a desprezar), os habitantes das aldeias vizinhas terão feito desaparecer a letra “e” no final do nome? Se assim aconteceu, embora esta ideia não seja mais do que uma suposição minha sem qualquer fundamento, confesso que me apetece acrescentar-lho de novo e chamar-lhe Claire de Lune. E imaginar uma rapariga de cabelos soltos vagueando pelos montes em noites de luar, pela mão de Claude Debussy. Apesar das ruínas. Apesar do tempo que se desmorona mas que igualmente se reconstrói ao modo de cada um. E porque a lua está presente também nos nossos dias, no mistério do que nos toca e se deseja.

M

(2006)