segunda-feira, 10 de outubro de 2011

144.


Foto de M

Reparei nele. Estava suspenso sobre o areal, a pele gretada pelo calor imenso, a tira preta a lembrar-me transpirados atletas de cabelos longos em treinos ao ar livre.
Interessante a ideia de quem o pensou ali de forma tão estética e adequada à natureza do lugar. Um simples caixote do lixo no caminho descalço de quem atravessa o verão com o frenesim consumista nas mãos. Como precaução, suponho, de alguém que conhece os gestos distraídos dos caminhantes e deseja que a luz permaneça pura.
M

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Provérbios Fotografados - 10


Foto de M

«Caminha pela estrada, acharás pousada»

Rifoneiro Português por Pedro Chaves (2ª edição), Editorial Domingos Barreira

domingo, 25 de setembro de 2011

143.


Foto de M

Sentou-se entre os ramos da macieira, o olhar consternado fixo na sua companheira de criação.
Imensa é por vezes a ilusão do voo no assobio do vento, ouviu alguém murmurar a seu lado, as pontas dos dedos tocando-lhe ao de leve o corpo magoado. Não estejas triste, vem, acolher-te ei na concha da minha mão.
M

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

142.


Foto de M

Em férias. Lugar liberto dos gestos e pensamentos que de si mesmos se cansam e se não reconhecem quando arrastados pela engrenagem dos dias.

M

sábado, 10 de setembro de 2011

141.


Foto de M

Um lugar de sempre onde os dias esvoaçam como borboletas ao sol.

M

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Provérbios Fotografados - 9


Foto de M

«Cada vaso transpira o que dentro arrecada»

Rifoneiro Português por Pedro Chaves (2ª edição), Editorial Domingos Barreira

terça-feira, 6 de setembro de 2011

140.


Foto de M

Na beleza das coisas, uma onda muito branca pousada sobre a mesa.
M

sábado, 3 de setembro de 2011

139.


Foto de M

Ontem, no sossego de mim, dei comigo a pensar que talvez a solidão seja apenas uma maior tomada de consciência do lugar silencioso que por vezes ocupamos no mundo. Porque nem sempre a presença física ou o movimento dos movimentos que nos constituem e entrelaçam são perceptíveis ao olhar interior de quem olha.
M

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

138.


Foto de M

Gosto de mesas desarrumadas em esplanadas à beira-mar. São fragmentos de gestos inscritos no corpo dos instantes, desenhados alguns no invisível, palavras baloiçando entre silêncios e olhares presos no mistério do outro, o pensamento diluindo-se na distância azul.
Anónimas migalhas de momentos que a uns e outros pertencem, tão depressa varridas e empilhadas em tabuleiro de rotinas pela mão de um empregado de serviço indiferente aos nomes e às memórias que elas guardam.

M

quinta-feira, 14 de julho de 2011

137.


Foto de M

Não faço ideia que pensamento terá ecoado na cabeça de quem o sujeitou à função de porteiro tristemente encostado ao desgaste do Tempo, a alma pesada de silêncio forçado. Mas talvez, no seu desconforto, receba a ternura dos caminhantes de passos leves lembrados da amplitude humana da sua voz, agora sussurro de memórias pousado sobre as pedras do chão. Talvez.

M

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Provérbios Fotografados - 8


Foto de M

«Bem estou com meu amigo que come seu pão comigo»

Rifoneiro Português por Pedro Chaves (2ª edição), Editorial Domingos Barreira

segunda-feira, 27 de junho de 2011

136.


Foto de M

Breve o tempo das papoilas no céu dos pássaros.

M

quinta-feira, 9 de junho de 2011

135.


Foto de M

Quando. Palavra de índole reservada, de quem se conhece o pensamento apenas no convívio com outras, a completar linguagens e desejos. Será flexível, emotiva, porventura indecisa, o que se compreende, sendo tantas as interrogações que amiúde a provocam e se apoderam do seu pequeno corpo. Meticulosa na descrição de realidades diversas, é no entanto capaz de saltar a fronteira da minúcia e, destemida, esboçar sonhos que lhe abrem sorrisos em horizontes mais vastos.
Quando. Palavra de tempos, palavra de memórias, palavra de afectos, palavra de limites, palavra de eternidades.

Quando, meu amor, voltarmos a encontrar-nos, ofereceremos um ao outro o que ficou guardado dentro do silêncio. Depois, entraremos de mãos dadas na casa da serenidade absoluta.

M

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Provérbios Fotografados - 7


Foto de M

«A pequeno passarinho, pequeno ninho»

Rifoneiro Português por Pedro Chaves (2ª edição), Editorial Domingos Barreira

Provérbios Fotografados - 6


Foto de M

«Ao boi pelo corno, ao homem pela palavra»

Rifoneiro Português por Pedro Chaves (2ª edição), Editorial Domingos Barreira

domingo, 15 de maio de 2011

134.


Foto de M

Os muros, esses seres imóveis onde as cores do mundo se acolhem entrelaçando as sombras das horas caladas.
M

quinta-feira, 12 de maio de 2011

133.


Foto de M

Pareceu-me curioso de mim.
Deslizava sobre as águas do lago, tão bonito na sua plumagem de alvuras, o bico bem fechado guardando silêncios, o olho pequeno a espreitar-me por detrás das pedras luminosas a arderem na indolência da tarde. E eu ali em artes de malabarismo, a tentar segurá-lo dentro do visor da máquina fotográfica onde sorriam memórias vivas de cisnes moldados em espuma de sabão pelas mãos da minha mãe. Como flutuavam leves na água dos meus banhos de menina!
O motivo do seu interesse por mim não sei, mas, estando metade do meu rosto encoberta pela máquina fotográfica, não me custa imaginar que talvez pensasse que também eu tinha um olho de cada lado da cabeça.
M

sábado, 30 de abril de 2011

132.


Foto de M

Maternidade.

M

quinta-feira, 21 de abril de 2011

quinta-feira, 14 de abril de 2011

131.


Foto de M

Tão especial pode ser a luz de um fim de tarde em repouso sobre os fios delicados do pensamento.

M

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Provérbios Fotografados - 5


Foto de M

«A boca governa-se pela bolsa»

Rifoneiro Português por Pedro Chaves (2ª edição), Editorial Domingos Barreira

sexta-feira, 25 de março de 2011

AVISO

O meu computador está com alguns problemas de relacionamento com a internet, não fazendo eu ideia se vai amuar. Assim sendo, se eu desaparecer de repente, não se admirem.

domingo, 20 de março de 2011

130.


Foto de M

Tão sozinha me pareceu na distância do meu olhar de peregrina por caminhos desconhecidos. Negras as vestes sobre o seu corpo de mulher, como estátua a vi, esculpida por artesão de um lugar de silêncios. Vértice de ecos antigos, perdidos alguns, resguardados outros na dureza da pedra ou no encantamento da memória, dispersando-se ainda outros na voragem dos dias por preencher. Naquele ermo pardacento, apenas o vermelho da caixa de correio pendurada na ombreira de uma porta fechada. Como coração que se recusa a morrer dentro de vida amortalhada.

M

sexta-feira, 11 de março de 2011

129.


Foto de M

Tão íntima a memória. A leveza da luz sobre a doçura dos gestos perdidos, vivas as imagens desenhadas nas paredes que me abraçam, serenos os tons onde procuro consolo.
Tão solitário o silêncio da permanência na sombra da finitude.

M

quinta-feira, 10 de março de 2011

128.


Foto de M

Talvez, quem sabe, deixe de chover desalmadamente e ela me conceda o aconchego desta meia-luz. Aquele seu contínuo abrir e fechar de varetas nos últimos dias tem sido excessivo para as minhas já tão frágeis articulações, pensou o mais curvado dos três amigos, há anos ao serviço da meteorologia.

M

sábado, 5 de março de 2011

Provérbios Fotografados - 4


Foto de M

«Pecado novo, penitência nova»

Rifoneiro Português por Pedro Chaves (2ª edição), Editorial Domingos Barreira

quarta-feira, 2 de março de 2011

127.


Foto de M

Quando passei, o meu olhar ficou preso no silêncio soalheiro pousado naquele tanque à beira do caminho. Imaginei-a ali, curvada sobre a pedra, a escova apertada na mão num vaivém de zelo contra a sujidade do tapete, o pensamento encharcado em espuma de sabão. Só ao ir-se embora, carregando nos braços o peso das tarefas matinais, a mulher reparou em mim. Ela fica aqui a descansar um pouco. Não me demoro, disse, como se adivinhasse as minhas interrogações.

M

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

126.


Foto de M

Talvez, quem sabe, este azul de infinitos silêncios me deixe adormecer no seu colo quando a solidão da noite descer sobre a terra, disse o tufo cor-de-rosa lá do alto da arriba, a voz límpida esvoaçando como gaivota sobre a beleza da tarde.

M

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Provérbios Fotografados - 3


Foto de M

«Cada um sabe onde o sapato
lhe aperta»

Rifoneiro Português por Pedro Chaves (2ª edição), Editorial Domingos Barreira

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Provérbios Fotografados - 2


Foto de M

«Quem vê o céu na água vê peixes nas árvores»

Rifoneiro Português por Pedro Chaves (2ª edição), Editorial Domingos Barreira