Contornei o quarteirão à procura do acesso à tal parte cimeira dos edifícios que vi para lá da vedação de obra na Rua de Dona Estefânia. Assim chamada como homenagem póstuma à jovem princesa alemã Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen escolhida para casar com o rei D. Pedro V em abril de 1858. Ambos muito novos, o seu reinado como rainha consorte durou apenas 14 meses. Morreu rainha sem sorte aos 21 anos, de difteria, seguindo-se-lhe a morte do marido com febre tifoide dois anos depois, aos 24. No entanto, pelo que li, no seu breve reinado tiveram ambos um papel relevante no apoio aos desprotegidos. Por influência da rainha, habituada a melhores condições económicas e sanitárias europeias, impressionada com o abandono e estado de pobreza de muitas crianças portuguesas, foi então pensado um hospital moderno exclusivamente para elas. Nasceu assim o Hospital de Dona Estefânia, fundado posteriormente, em 17 de julho de 1877.
Ao virar da esquina eis-me na Praça Ilha do Faial, um espaço aberto e luminoso em redor do Jardim Cesário Verde. Encantaram-me as cores vivas dos prédios e as suas características arquitectónicas diversas com vista sobre o jardim. Subi então a escadaria que se vê na fotografia, entre o prédio cor de rosa forte e o prédio amarelo. Notável o letreiro em Braille colocado no corrimão. Lá estavam, junto das traseiras de edifícios com suas antigas escadas de ferro exteriores, o arvoredo e os telhados baixos que eu tinha avistado da Rua de Dona Estefânia. Voltei um mês depois e encontrei um chão nu de terra batida, certamente à espera de novas construções.
M
Fotos de M
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