O Jardim Cesário Verde fica bem naquela zona residencial histórica do Bairro dos Açores (inicialmente chamado Bairro Linhares) em que as ruas têm nomes das ilhas açorianas: Rua Açores, Rua da Ilha Terceira, Rua da Ilha do Pico, Rua de Ponta Delgada… Uma homenagem aos Açores pelo apoio dado aos liberais durante a luta entre liberais e absolutistas na chamada Guerra dos Dois Irmãos D. Pedro IV e D. Miguel em 1832-1834. É contemporâneo da construção das Avenidas Novas no final do século 19 no plano urbanístico de Frederico Ressano Garcia.
Em tempos idos, tinha já passado pelo jardim, mas só recentemente o espreitei com olhos de ver. Era primavera e o dia estava lindo. Agradou-me o que encontrei naquele espaço aberto de 2500 metros quadrados, árvores, luz e sombras, tão bonitas as correntes verdes a circundar os canteiros de flores, a lembrar mãos dadas. Soube, depois de lá ter estado, que possui desde 1947 uma árvore classificada como Interesse Público, Cedrus atlantica (Endl) Manetti ex Carrière, mas não faço ideia qual delas seria. A ignorância tem destas coisas. Em 2021, a Junta de Freguesia de Arroios reabilitou o jardim executando trabalhos para restituição da permeabilidade dos solos e substituição do piso. O busto de Cesário Verde, à beira do passeio da Rua de Dona Estefânia, foi executado por Maximiano Alves (Lisboa, 1888 – 1954) e inaugurado em 1955. Fiquei também a saber que ele era filho de um gravador da Casa da Moeda, concluiu o Curso de Escultura na Escola de Belas Artes de Lisboa em 1911, e recebeu o grau de Oficial da Ordem Militar de Santiago de Espada em 1932 pela concepção e execução do Monumento aos Mortos da Grande Guerra, na Avenida da Liberdade, inaugurado em 1931.
M
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