segunda-feira, 10 de julho de 2023

AS CORES DO ARCO-ÍRIS - LARANJA

 

Entalada entre o vermelho e o amarelo, com fisionomia alegre, ali está ela, a cor laranja. Parentescos luminosos. A sugerir  sabores e nomes dados a frutos.




Um toque de graça posta na faixa laranja para a toilette do sorriso. Ou às vezes dá jeito apertar o cinto à roda da cintura para evitar esbanjamentos.


Também lhe chamam cor de abóbora, mas aqui perdeu um pouco da sua alegria. Talvez por se sentir descascada e pronta para ferver dentro da panela.

Não sorrias a pensar em petiscos, gato tigrado, o Nemo está longe, é nice, pois é, mas ficou  longe, em Nice.  


Do cão sei eu que foges, não é, gato tigrado?


Um belo banco laranja para me sentar entre a Natureza.

 
Um arco-íris terreno incompleto, mas isso que me importa?
 


 
Um muro lindo salpicado de laranja a trazer-me ao pensamento uma outra aldeia rústica que adoro.
 
 
Frutas da tal aldeia apetecível que tem as cores da minha infância e juventude.
 



Na cidade também existem cores do arco-íris pintadas em casinhas flutuantes ou em bancos, toldos e museus lindos onde a cor laranja se mostra aos visitantes em objectos delicados. Ou em azulejos que alegram os cais apinhados de gente cansada nas estações de metropolitano.
 




O cadeirão e os livros à espera da minha decisão sobre qual escolher para cada momento.




M

quinta-feira, 6 de julho de 2023

AS CORES DO ARCO-ÍRIS - VERMELHO

 

O arco-íris, aquela fita colorida que apetece roubar ao céu e prender com ela os nossos cabelos. Ou... ou... esperar que ela nos ofereça bocadinhos de si. Começo pelo vermelho.

 

 
À espera de quem o transporte até ao lago mais próximo. Talvez o do Lietzenseepark.

Quase a parecer todo o arco-íris lançado à terra, mais perto do nosso olhar.

Quem me dera sentar-me ali de novo. Apenas a olhar e a pensar.

Quase a lembrar uma saia ao vento. 

Ou, no topo do Reichstag, nada a impedir-nos de alargar o nosso olhar e deixar que ele pouse também no vermelho do autocarro e, quem sabe, descobrir alguém vestido de vermelho. A lembrar o livro "Onde está Wally?".


Nos sítios mais inesperados pousam as joaninhas. Tão graciosas elas são.


Que importa se alguém irreal descansa num banco à porta de uma loja em Nikolaiviertel ou onde nos sentamos em Alexanderplatz a comer uma apetitosa fatia de bolo ou o nome de quem anda de bicicleta na Glienicker Bruecke ou de barco em Tiergarten se o vermelho nos acompanha?




Quem diria que um pedacinho de vermelho pousaria tão discretamente nos cabelos da senhora. Talvez que nem ela, no seu passeio de barco no rio Spree, se tivesse apercebido.

 

 

Tão impressionante é este Memorial do Holocausto em Berlim. Terrível é a memória, tão estreita por vezes na História dos homens.

 



Valem-nos os campos abertos do Alentejo e as promessas diferentes ao romper dos dias.

 



Bonitas são também as flores que nascem sobre as pedras dos caminhos.


Os vermelhos frente ao mar. Despidos de gente.


Ou lá no alto junto ao céu, acompanhando o nosso olhar faminto de beleza.

E muitos mais vermelhos existem por aí, pousados nos lugares por onde passamos.

M

domingo, 11 de junho de 2023

Talvez, quem sabe



Fotos de M

Talvez, quem sabe, as árvores sintam também desespero humano mas acabem por descobrir paz no despojamento dos seus próprios gestos.

M

quinta-feira, 1 de junho de 2023

Concentração


 Foto de A.