sexta-feira, 25 de março de 2011

AVISO

O meu computador está com alguns problemas de relacionamento com a internet, não fazendo eu ideia se vai amuar. Assim sendo, se eu desaparecer de repente, não se admirem.

domingo, 20 de março de 2011

130.


Foto de M

Tão sozinha me pareceu na distância do meu olhar de peregrina por caminhos desconhecidos. Negras as vestes sobre o seu corpo de mulher, como estátua a vi, esculpida por artesão de um lugar de silêncios. Vértice de ecos antigos, perdidos alguns, resguardados outros na dureza da pedra ou no encantamento da memória, dispersando-se ainda outros na voragem dos dias por preencher. Naquele ermo pardacento, apenas o vermelho da caixa de correio pendurada na ombreira de uma porta fechada. Como coração que se recusa a morrer dentro de vida amortalhada.

M

sexta-feira, 11 de março de 2011

129.


Foto de M

Tão íntima a memória. A leveza da luz sobre a doçura dos gestos perdidos, vivas as imagens desenhadas nas paredes que me abraçam, serenos os tons onde procuro consolo.
Tão solitário o silêncio da permanência na sombra da finitude.

M

quinta-feira, 10 de março de 2011

128.


Foto de M

Talvez, quem sabe, deixe de chover desalmadamente e ela me conceda o aconchego desta meia-luz. Aquele seu contínuo abrir e fechar de varetas nos últimos dias tem sido excessivo para as minhas já tão frágeis articulações, pensou o mais curvado dos três amigos, há anos ao serviço da meteorologia.

M

sábado, 5 de março de 2011

Provérbios Fotografados - 4


Foto de M

«Pecado novo, penitência nova»

Rifoneiro Português por Pedro Chaves (2ª edição), Editorial Domingos Barreira

quarta-feira, 2 de março de 2011

127.


Foto de M

Quando passei, o meu olhar ficou preso no silêncio soalheiro pousado naquele tanque à beira do caminho. Imaginei-a ali, curvada sobre a pedra, a escova apertada na mão num vaivém de zelo contra a sujidade do tapete, o pensamento encharcado em espuma de sabão. Só ao ir-se embora, carregando nos braços o peso das tarefas matinais, a mulher reparou em mim. Ela fica aqui a descansar um pouco. Não me demoro, disse, como se adivinhasse as minhas interrogações.

M

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

126.


Foto de M

Talvez, quem sabe, este azul de infinitos silêncios me deixe adormecer no seu colo quando a solidão da noite descer sobre a terra, disse o tufo cor-de-rosa lá do alto da arriba, a voz límpida esvoaçando como gaivota sobre a beleza da tarde.

M

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Provérbios Fotografados - 3


Foto de M

«Cada um sabe onde o sapato
lhe aperta»

Rifoneiro Português por Pedro Chaves (2ª edição), Editorial Domingos Barreira

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Provérbios Fotografados - 2


Foto de M

«Quem vê o céu na água vê peixes nas árvores»

Rifoneiro Português por Pedro Chaves (2ª edição), Editorial Domingos Barreira

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Da beleza dos objectos e da arte de saber aproveitar
















Fotos de Vasco

«Aproveitamento de umas tábuas de 4 cm de espessura por carpinteiro amador. E assim se fizeram dois banquitos.»

Vasco

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Provérbios Fotografados - 1


Foto de M

«A palavras loucas, orelhas moucas»


Rifoneiro Português por Pedro Chaves (2ª edição), Editorial Domingos Barreira

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Da beleza das flores no meu caminho


Foto de Bettips

Obrigada! É linda!

M

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

sábado, 18 de dezembro de 2010

Natal de 2010


Foto de M

Entre a terra e o céu, cada um de nós.

Que o Natal nos acolha a todos neste frio Dezembro do mundo dos homens.

M

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

125.




Fotos de M

Quando a lua cai à terra, traz perfume de rosas e pousa no meu lavatório. Outras vezes, tem sabor de gelado de morango a derreter-se devagarinho entre os dedos húmidos das minhas mãos.
M

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

124.


Foto de M

A madeixa do Outono e a natureza das coisas.

Breve o cântico verde das árvores, efémero o sussurro dourado do sol que lhe toma o lugar entrelaçando ilusórios fios de filigrana nos corpos cansados dos pássaros. Entorpecido o voo, encarquilhadas as asas, espreita-os o vento e deles se compadece. É suave o sopro do vento. Venham comigo. E eles vão. Descem devagar, cada um agarrado ao dorso de uma folha seca a dançar no ar o movimento do tempo nos seus permanentes avanços e retornos. Quando tocam o chão, apenas os meninos de passos leves os vêem e os levam para casa dentro das suas mãos pequeninas.

M

terça-feira, 5 de outubro de 2010

123.


Foto de M

O cão de guarda de um lugar de sempre. O seu nome é Nó.
M

122.


Foto de M

Relógio de sol. O meu.

M

domingo, 3 de outubro de 2010

121.


Foto de M

Ainda a luz que me comove e me conforta. À beira de uma estrada que reconhece os meus passos calados.
M

120.








Foto de M

Da beleza nos caminhos deste mundo. Como uma metáfora, assim a vejo. Talvez por causa da nossa necessidade de consolo, pobres seres amargurados que somos.

Luz
Sombras
Frescura
Seiva
Graciosidade
Fragilidade
Resistência
Brevidade
Aceitação
Serenidade
Presença

M

sábado, 2 de outubro de 2010

119.








Foto de M

O mesmo lugar ainda e a luz coada do silêncio. Um lenitivo. Como gaze balsâmica pousada sobre as dores de um mundo em carne viva.

M

118.


Foto de M

Poderá ser de certo modo dolorosa a quietude dos lugares. Por causa do diálogo incessante entre presença e ausência na memória do tempo histórico.

M

domingo, 19 de setembro de 2010

117.


Foto de M

Os ângulos de um silêncio em que apoio o corpo e a alma.
M

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Brincando aos puzzles...












Fotos de M

I'm completely puzzled. And you?

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

116.


Foto de M

Da harmonia dos gestos na fruição dos sentidos e do pensamento.
M

domingo, 12 de setembro de 2010

115.


Foto de M

Gosto de janelas.
Nesta imagino no nó da cortina por detrás da vidraça a ternura de alguém que abraça uma criança sentada a seu lado a espreitar o mundo.
M

domingo, 8 de agosto de 2010

114.


Foto de M

No seu tempo não havia estas rosas na Quinta, pois não, mas lembro-me que eram de tecido róseo - tão iguais a estas!-, as que enfeitavam a aba do seu citadino chapéu de palha amarela, com fina rede no mesmo tom a realçar-lhe o rosto. Era tão bonita aquela intimidade de cores campestres pousada sobre os seus cabelos já um pouco grisalhos!
Tenho tantas saudades tuas, Mãe! Saudades de me sentar ao teu lado a contemplar o silêncio do vale que fala e nada dizermos porque não era preciso.
O lugar continua a ser o mesmo, sabes, por isso vou pôr a minha cadeira ao pé da tua, está bem?
M

sábado, 7 de agosto de 2010

113.


Foto de M

A Natureza tem destas coisas: pousa ao acaso nos caminhos dos peregrinos deste mundo e neles constrói ninhos de solidão que é ao mesmo tempo presença viva. Num mesmo lugar, tocando-se a medo na fragilidade de ambas, a secura encarquilhada de vozes quebradas pelo desalento e a delicada tessitura dos silêncios por dizer.
M

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

112.


Foto de M

No movimento do Tempo me refugio, sentada no mesmo lugar de sempre, companheiro amigo do meu olhar de silêncios.
M

terça-feira, 20 de julho de 2010

O Prazer de Viajar - 33


Foto de M

cada pássaro é a sombra, tatuada,
de um anjo

Emanuel Jorge Botelho

21 Haiku com Asas (Terceiro Livro, Emanuel Jorge Botelho – Urbano), in 21 Haiku com Asas, Urbano, e Cabras, Galeria 111

(Madalena, Ilha do Pico)