sexta-feira, 7 de março de 2025

Janelas e janelões. Presença. Distância e proximidade

Foto de M

Gosto de janelas, os seus vidros como presença entre distância e proximidade. Gosto destas gotas de água a deslizarem devagarinho, desmanchando o peso tornado insuportável de nuvens negras. Posso tocar-lhes através da superfície fria, um afago partilhado, quase pele com pele. Pelo contrário, não gosto de quedas de água irascíveis, ruidosas, atiradas do alto como setas afiadas contra o meu olhar em busca da proximidade possível na distância. Valem-me as cortinas. À semelhança das cortinas de palco de teatro abrindo-se e fechando-se sobre as cenas da peça mostrada ao público.

M

 

Foto de M

E, ainda que de modo diferente, também nesta fotografia vejo o vidro do janelão da belíssima estação ferroviária Berlin Hauptbahnhof como presença entre distância e proximidade. E conto o que lá se passou comigo quando fotografava aquele espaço cheio de gente em movimento, sem prestar atenção às comunicações sobre partidas e chegadas de comboios transmitidas pelos altifalantes. Felizmente a minha amiga Mena estava atenta: Estão a avisar que não se pode fotografar. Não faço ideia se o aviso era automaticamente lançado por uma gravação ou se, por questões de segurança, todos nós estaríamos num ecrã observado por algum funcionário diligente. Fiquei espantada com a eficiência daquele “olho” invisível. Lá está, a proximidade na distância.

M

terça-feira, 4 de março de 2025

Hoje pousei o pensamento em outubro de 2016...

... e viajei de autocarro até El Acebo, em Espanha, um lugar de um dos Caminhos de Santiago por onde passam peregrinos em busca de Santiago de Compostela. Lindo todo este mundo antigo trazido para os nossos dias! Como estará agora neste recém nascido 2025?

Oiço os meus passos na rua deserta.

Até oiço o ranger da madeira da varanda. Quem ali assomou em anos longínquos e tudo terá abandonado?


Flores, continuidade de vida, renascimento, alegria, caminhos, passos, encontros, rastos.

Tão bonitas as conchas. Sinal de passagens. Marcas de convívios.

A antiga aldraba da porta em contraste com a fechadura contemporânea.

Outra aldraba. Como mão de alguém que se faz anunciar ao de leve à porta dos vizinhos, aparentemente assustados, aferrolhados com fechos e grades retorcidas. Porquê aquela espécie de varandim de madeira? Não sei. Ou se soube, não me lembro da explicação.

 


Tão bonitas as pedras encaixadas e o telhado de ardósia brilhante, também ele a lembrar formato de conchas.

A solidão da velha capela encostada à modernidade de um poste de electricidade? 

Passam peregrinos, passam as suas orações, as suas crenças, passam viajantes, passa o tempo, fica a memória. Aqui, a minha. Com saudades dentro dela.

M

(Fotos de M)

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Transparências


Fotos de M

Transparências e a importância dos lugares em que se encontram.

M

domingo, 23 de fevereiro de 2025

Formatos

Foto de M

Presentes que o planeta Terra oferece aos seus habitantes. Em formatos diversos, à mercê do nosso olhar e de pessoas talentosas capazes de os recriar de forma também muito bela. Terra, um planeta de dimensões preciosas.

M

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Pontos

Foto de M

Pontos de vista sobre a palavra pontos.

M

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Traços

Foto de M

Traços outonais desenhados num jardim da cidade.

M

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Acontecimentos desagradáveis


Foto de S

Acontecimentos desagradáveis tenho alguns na memória, sendo sempre os mesmos que me aparecem a fazer-se lembrados. Envoltos numa certa neblina, mas mesmo assim incómodos, talvez porque não consigo recordar-me de todos os detalhes. Conto um que me aterrou anos a fio, era eu criança. Havia uma empregada em casa dos meus pais que contava histórias assustadoras. Uma delas foi sobre um ladrão que tinha trepado pela parede de um prédio e entrado pela janela de um dos andares. E se me acontecesse a mim… Ora nós morávamos num terceiro andar com pé direito alto de prédio antigo e, portanto, seria impossível alguém fazer escalada e entrar em nossa casa dessa maneira. Pois, mas todos sabemos, julgo eu, que os medos tomam conta da eventual racionalidade que uma criança possa ter. Então, todos os finais dos dias, assim que a noite se aproximava, depois de me certificar, através dos vidros da janela, que não estava lá a carantonha nem as mãos do dito homem agarradas ao parapeito, fechava as portadas de madeira interiores do meu quarto e espreitava para debaixo da cama. À hora de me deitar voltava a certificar-me de que nada tinha sido mexido. Uma tormenta que durou sei lá quanto tempo. Pois é, mas eu nunca falava dos medos que tinha aos meus pais nem a mais ninguém. Sofri as consequências.

M

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Ah como a compreendi!

Fotos de M

Uma pequena capela centenária. Família e amigos ali reunidos para a celebração de um baptizado. Adultos e crianças sentados nos bancos corridos de madeira escura, olhando-se uns aos outros, passeando a curiosidade pelas paredes e tectos de pedra à espera do padre. Ei-lo que chega! Pais e padrinhos do menino a baptizar juntam-se-lhe na mesa do altar. Felizes em redor do seu menino, participantes activos nos rituais desta iniciação cristã. Entre leituras de textos e explicações alargadas, dirigiu-se o padre a todos os presentes, esquecendo-se que as crianças (apenas elas?) têm o seu tempo de escuta e de entendimento de palavras ouvidas, porventura algumas desajustadas também ao momento e a quem se dirigia. Eu observava a menina. De início parecia compenetrada do papel a desempenhar, mas a certa altura apercebi-me nela de uma certa incapacidade para permanecer quieta. Tinha-se levantado e procurado um banco isolado, subindo-o e descendo-o várias vezes, acabando por tirar os sapatos, deixá-los no chão e sentar-se. De repente levantou-se e, em bicos dos pés descalços, acercou-se do grupo junto do altar e esticou o braço para tocar ao de leve com a sua mão pequenina na casula do padre. Não sei se queria confirmar que brilho era aquele. Suponho que sim. Era habitual nela tocar nas coisas com mãos fugidias para as ver e sentir de perto, quase um tímido tocar sem tocar. Ou seria para lhe dizer: Estou aqui e já não aguento mais ouvi-lo. Ah como a compreendi!

M